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Uma viagem de moto precisa ser planejada, não é
simplesmente subir na moto e sair andando, apensar de algumas vezes
dar vontade de fazer isso!
O fato é que precisa-se estar preparado para o
máximo possível de imprevistos, sejam mecânicos ou até consigo
mesmo. Fazer uma viagem de 9 mil quilômetros e ter apenas
um pneu furado, é extremamente gratificante e demonstra que o
certo foi feito, respeitado os limites, as condições das estradas,
as regras de transito e as condições físicas. Nos meus 20
anos de pilotagem, aprendi que toda e qualquer moto vai a
qualquer lugar, desde que se faça uma boa manutenção e
respeite-se os limites da máquina.
Assim, eu afirmo que todos devem realizar os seus
sonhos, levem 5, 10, 20 ou 100 anos, mas não deixem de
persegui-lo. Viajo de moto a muitos anos, e já percorri
várias distancias, mas era um sonho fazer uma viagem com tamanha
quilometragem e passando por lugares até então desconhecidos.
Abaixo farei uma descrição de cada
dia da nossa aventura, a qual foi realizada com duas motos,
sendo uma Suzuki Vstrom de 1.000 cilindradas e uma XT600 da
Yamaha com 600 cilindradas. A cada trecho também existe uma mapa
para poder acompanhar o roteiro da viagem.

01/03 - Juntamente com o
grande companheiro Paulo Rocha a bordo de nossas motos, dia 01 de
março de 2008 saímos respectivamente de Goiânia GO e Várzea
Grande MT, onde nos encontramos em Rio Verde GO (700km de Cuiabá
e 230 de Goiânia), e seguimos viagem percorrendo 8 estados e 03
divisas com Uruguai, Argentina e Paraguai. Uma viagem feita pelo
Brasil, terra que tem muito o que nos mostrar, mesmo quando
achamos que já conhecemos tudo. Aliás, viajar de moto nos
mostra o quanto não vemos nada viajando de carro!
Ainda no dia primeiro, continuamos viagem até
Itumbiara GO, passando pela pior estrada do Brasil, segundo a 4
Rodas. Muita chuva, lama dos buracos das pistas e
movimento de carretas. Chegamos a noite em Itumbiara onde
pernoitamos em um hotel muito confortável a beira do rio.

02/03 - Acordamos as 6 da manha, mas acabamos
saindo mesmo as 9h, entrando no estado de Minas Gerais, onde
pela primeira e única vez fomos parados em um posto policial
para vistoria de rotina. Como tudo estava certo, seguimos
em frente para Uberlândia, pegando pista dupla dai para frente.
O tempo estava limpo, sem chuvas. Passamos em Uberaba e em
seguida pegamos a rodovia Anhanguera. Quanta diferença de
estradas. Detalhe, em São Paulo moto não paga pedágio em
rodovias estaduais. Próximos a Campinas tivemos o primeiro e
também único pneu furado de toda a viagem. Foi na moto do
Rocha, onde acreditamos que não tenha sido nem feito por prego,
mas sim a válvula que soltou da câmara. Detalhe, a câmara
de ar era novinha. Logo escureceu e veio a chuva. Entrar
em Campinas domingo a noite com chuva não é fácil, muitos
viadutos e um transito tremendo. Para complicar, a viseira
do capacete do Rocha soltou e aí tivemos que diminuir o ritmo.
Mas logo chegamos em Campinas, onde passamos a noite na casa do
Nelson e da Beti, juntamente com a sua família e minha esposa
Magali que já estava lá de férias visitando a sua irmã.

03/03 - Logo pela manha
saímos para trocar o óleo
da XT e a pastilha de freio traseira da Vstrom que por falta
de cuidado da concessionária em Goiânia, estava gasta e não fora
trocada na revisão feita antes de viajar. Também corrigido o
problema do capacete do Rocha, saímos eu, minha esposa e o Rocha
em direção a Aparecida SP. Era um sonho antigo ir de moto
até Aparecida. Foram 600 km percorrido de ida e volta até
campinas, passando por lugares belíssimos, como a Região dos
Lagos na Rodovia Dom Pedro, mais os diversos túneis encontrados
no caminho. Como é divertido passar de moto em túnel!!!

04/03 - Saímos de Campinas em direção ao Paraná,
passando por Avaré, onde lavamos as motos pela primeira vez,
As chuvas haviam parado e as motos estavam muito sujas. No
Paraná, percorremos algumas estradas muito divertidas, estreitas
e com muitas curvas, chegando em Telêmaco Borba, minha terra
natal. Fomos recebidos com muita festa pelos parentes, já
degustando um carneiro assado na primeira noite. Já deu
saudades.
05/03 - Passamos o dia em Telêmaco, revendo
a cidade, parentes e amigos, bem como aproveitando para fazer a revisão da Vstrom que esta na garantia. Também foi providencial para darmos
uma descansada.

06/03 - Hora de pegar a estrada novamente. Dai
para frente muita curva e muita diversão quando se trata de
viajar de moto por estradas sinuosas. Passamos pelo Parque
Nacional de Vila Velha em Ponta Grossa, onde pudemos conferir de
perto as rochas que tem formações incríveis. Vale a pena
conhecer. Ainda nesse mesmo dia passamos por Porto Amazonas e
Lapa, chegando a Curitiba no final da tarde e na hora do rush. A
noite fomos até o Restaurante Madalosso, onde degustamos uma
massa de primeira. Recomendo esse restaurante a todos que
forem até Curitiba, fica na Santa Felicidade. Além da
comida ser de primeira, o atendimento é rapidíssimo e o preço é
extremamente pequeno. Ao chegar não se assuste com o tamanho,
segundo o Guiness Book, ele é o segundo maior restaurante do
mundo.

07/03- Tiramos a manha para comprar algumas
coisas em Curitiba, passando na loja Adrenalina (www.adrenalina.com.br)
e em seguida iniciamos a descida da Serra da Graciosa. Um
lugar show e que também vale a pena ser visitado. Boa
parte da estrada é de blocos de pedra e somente carros pequenos
podem passar. É bom andar devagar para poder apreciar a
paisagem e também porque é muito escorregadia, de moto então nem
se fala. No final da tarde chegamos em Caiobá e Guaratuba no
litoral paranaense, onde conhecemos um motociclista de Matinhos
PR que estava saindo para um encontro que iria acontecer no
interior de Santa Catarina.

08/03 - Após dormir em Guaratuba, estrada
novamente seguindo até Itapema SC, onde minha esposa Magali e
a Analise esposa do Rocha, também chegaram para passar alguns
dias na praia conosco.
09 a 12/03 - Permanecemos na praia, percorrendo
de moto diversos pontos do litoral Catarinense, como
Florianópolis, Camburiu, Porto Belo, Bombinhas, Itajaí e
Brusque.

13/03 - Depois de alguns dias
descansando na praia, era momento de continuar viagem e conhecer a Serra do Rio do
Rastro. Saímos logo pela manha pela BR101, que após
Florianópolis deixa de ser duplicada e o transito muito
complicado, o que requer muita atenção. Passamos por
Laguna, lugar lindíssimo, com praias muito limpas e mar azul.
Também passamos por Tubarão, onde troquei o meu capacete.
O anterior estava fazendo muito barulho de vento, o que em
viagem de moto é muito ruim. Próxima parada, Serra do Rio do
Rastro. Chegamos já após as 6 da tarde, começava a chover
e o tempo esfriar. Nos preparamos e iniciamos a subida. A
chuva engrossou e confesso fiquei temerário, porque as curvas
eram muito fechadas. Ao nos depararmos com as luzes da
Serra, a reação foi parar e pensar: Será que realmente da para
subir? Não tem como explicar, só vendo. parecia que os
postes que percorriam a estrada estavam uns sobre os outros.
De repente o piso mudou, saiu o asfalto e entrou o concreto com
ranhuras, que evita a derrapagem. Lentamente continuamos a
subida. Depois de várias paradas pelo caminho chegamos
no alto da serra, cuja temperatura estava abaixo de 10 graus.
Por sorte a chuva passará.
Descobrimos então que o hotel no alto da serra
estava lotado e seguimos mais 18 km a frente até Bom Jardim da
Serra para encontrar
outro hotel. O frio continuava forte, afinal estávamos a
mais de 1.000 metros de altitude e próximos a São Joaquim,
cidade mais fria do Brasil. Ao chegar no pequeno patrimônio, o
único hotel da cidade não oferecia segurança para guardar as
motos. Resolvemos voltar, porque queríamos ver a serra de dia e
seguir em frente nos deixaria muito longe. Descemos a
serra novamente, ai com mais cuidado devido a pista molhada e, ao
chegar na próxima cidade(Lauro Miller), fomos informados que o
município não
tinha hotel. Acredite, lugar turístico!!!
Continuamos voltando até chegar a Orleans, onde aí sim
encontramos um hotel. Já passava das 22h, estamos molhados,
com frio e com uma fome daquelas, mas extremamente contentes com
a aventura de ter conhecido a famosa Serra do Rio do Rastro,
ainda mais com chuva e frio, porque não sei se vocês sabem, mas
motociclista de verdade gosta de aventura e de coisa difícil,
principalmente nós treieiros. Após uma canja quente, uma boa garrafa de
vinho para comemorar o percurso, é hora de descansar, porque na
manha seguinte sairíamos cedo.

14/03 - As cinco da manha já
estávamos de pé.
Café tomado, malas arrumadas nas motos (isso levava um tempo
danado para fazer), saímos novamente em direção a serra, agora
mais agasalhados, porque no alto o frio iria novamente pegar.
Foi o ponto alto da viagem. Não tem como descrever a paisagem
nem a sensação de pilotar uma moto por aquelas curvas(confira o
vídeo).
Por sorte tivemos a idéia de colocar a filmadora fixada no
guidão da moto e registramos vários momentos da subida, pelo
angulo de pilotagem. Não me canso de rever o filme. A todo
momento parávamos para tirar fotos e "babar" pelo visual.
Outra atração foi ver a pericia dos camioneiros descendo a
serra. Apesar de permitido apenas caminhões pequenos, em
muitas curvas eles tinham que parar e manobrar para poder
fazê-las. Acredite, é isso mesmo, eles tem que manobrar os
caminhões nas curvas, de tão fechadas. No alto da serra pudemos
acabar de admirá-la, através de um mirante que permite o visual
completo da subida. Lá também encontramos um colega
motociclista vindo de Porto Alegre, a bordo de uma BMW 1500.
É hora de seguir viajem, mas já sentindo
saudades. Passamos então por São Joaquim e Lages. O
frio já havia passado e adentramos na BR116, onde as curvas
também são de lascar. Não da para entender como foi que
construíram aquela estrada com tantas curvas. Após passar
por Caxias do Sul, paramos para degustar algumas uvas e em
seguida continuamos viagem, passando pela Serra Gaucha e
chegando em Gramado, onde nossas esposas já estavam desde a
manha daquele mesmo dia. Elas haviam vindo de ônibus durante a
noite. Já era final de tarde e o frio pegou novamente,
tivemos que até ligar o aquecedor para dormir. Mas antes
saímos para curtir a noite, dar um passeio a pé pelo centro de
Gramado e degustar um fondue.
15/03 - Depois de passar a noite e boa parte da
manha enrolado no cobertor, o tempo esquentou um pouco e saímos
os quatro de moto para conhecer a cidade e também conhecer Canela,
que fica bem próximo. Sem duvida, a região é a Europa brasileira.
Quem não conhece tem que conhecer, principalmente se for no
inverno ou levar sorte de pegar um "friozinho" igual nós
pegamos. Só que prepare-se, o bolso vai sentir, as coisas
não são baratas. A noite saímos para conhecer e
experimentar o
famoso café colonial. Por indicação do nosso amigo Jean de
Cuiabá, fomos no Café do Coelho, um dos mais antigos e
tradicionais. Amigos, aquilo sim é comer bem. Vem tanta
coisa na mesa que não tem nem como experimentar um de cada item.
Sem falar das tortas doces que ficam nas geladeiras e podem ser
servidas a vontade. Ah, já ia esquecendo. Além do café,
leite e chocolate que servem, também vem duas garrafas de vinho,
cujas o Paulo Rocha não deixou voltarem cheias.
16/03 - Hora de conhecer mais da Serra Gaucha.
Era domingo, levantamos cedo e saímos em direção a Bento
Gonçalves. Nesse dia tivemos a oportunidade de degustar um
churrasco gaúcho e também conhecer o Vale dos Vinhedos, onde
existem diversas plantações de uva e vários locais onde se
fabrica vinhos colonos. Também há as fabricas maiores.
No vale conhecemos um colega treieiro que nos levou dentro de um
parreiral lotado de uvas. No final da tarde retornamos novamente
para Gramado, onde pernoitamos.

17/03 - Nesse dia as esposas retornaram de avião
para Cuiabá, e nós saímos muito cedo, com frio e muita neblina,
seguindo de moto em direção a Porto Alegre e chegando na hora do
almoço em Pelotas. As curvas ficaram para trás e agora eram
somente estradas com muitas retas e tudo muito plano, são os
famosos "Pampas Gaúchos", onde a vegetação é formada basicamente
por campos e grama nativa. Muito bonito. Então deixamos a
Vstrom fazendo a revisão obrigatória na concessionária e
engarupados na XT seguimos até o ponto mais distante da nossa
viagem, que era a Lagoa dos Patos, na cidade de Rio Grande RS.
Região portuária, principalmente de pesca e petroquímica,
tivemos a oportunidade de conhecer a Lagoa dos Patos, que é a
maior lagoa natural do mundo. Um lugar diferente, onde para
todos os lados que você se volta, vê apenas retas, nada de
montanhas. A visão horizontal tanto do mar como do continente é
exatamente a mesma. Como diz o Rocha, a emoção de saber
que você esta "na ponta do mapa" é algo diferente. "Estávamos
com o dever cumprido, chegamos aonde havíamos planejado".
Agora é hora de começar a voltar.

18/03 - Começa o retorno. Devido a revisão
das motos, saímos muito tarde de Pelotas, onde também
aproveitamos para conhecer o "Manivela"(www.manivela.com.br),
que possui uma industria de acessórios para motos e parapentes.
Já eram mais de 15h e ainda tínhamos muito o que andar, para que
não atrasássemos a viagem. Nesse dia tivemos que
viajar boa parte a noite, o que nos deu a oportunidade de
ver o por do sol nos pampas gaúchos, o que foi uma atração a
parte. Como as estradas estavam muito boas e os faróis das
motos, principalmente da Vtrom são excelentes, chegamos
tranqüilos a Cruz Alta por volta das 21:30h.

19/03 - Acordamos cedo e pegamos estrada. O
tempo um pouco frio, exigiu uma roupa mais adequada. Logo as
6 da manha tivemos outra oportunidade de conferir uma paisagem
lindíssima, que foi o nascer do sol ao longo do horizonte
daquela terra muito bonita que é o Rio Grande do Sul.
Nesse dia rodamos boa parte beirando o território Argentino e as
16:0h chegamos em Foz do Iguaçu, onde no mesmo dia, apesar de
cansados, fizemos um passeio pelas Cataratas.

20/03 - Acordar cedo já era rotina.
Seguimos para a usina de Itaipu, onde tivemos a
oportunidade de entrar dentro das instalações e conhecer de
perto essa maravilha da engenharia brasileira. Foi outro
ponto alto da viagem. No roteiro, passamos por cima da
barragem. Em seguida saímos em destino a Ponta Pora,
passando por Guaira, conhecendo a ponte Ayrton Senna, com
extensão de 4km sobre o Rio Paraná. Ao entrar no MS, a vegetação
muda totalmente e dai para frente até Ponta Pora só havia
cerrado e estrada, sem falar do calor escaldante. Posto de
gasolina era coisa rara e não da para abusar que fica no
caminho. Chegamos muito tarde, mas ainda deu tempo de
passear pelas lojas do Paraguai. Por volta das 20h
decidimos por segurança não dormir em Ponta Pora, as motos
estavam chamando muito a atenção e muita gente perguntando de
onde éramos e para onde íamos. Então partimos para
Dourados MS, que fica a 100 km, pilotando novamente a noite.

21/03 - Sexta feira Santa, acordamos um pouco
mais tarde e seguimos para Nova Alvorada do Sul MS, 100km
próximo a Dourados, onde passamos o dia em um sitio, em
companhia do meu irmão Luiz Albari, juntamente com a sua família.
Ao anoitecer saímos para Campo Grande, sendo mais 100km
percorridos a noite.

22/03 - Sábado, faltavam apenas 700km para chegar
em Cuiabá. Logo pela manha trocamos o óleo das motos e
saímos em direção a Coxim MS, onde paramos para almoçar e comer
um peixe a beira do Rio Coxim. Após o almoço o "bicho
pegou". O calor estava muito forte, praticamente não havia
vento e até para respirar dentro do capacete estava ruim.
Por sorte pegamos uma chuva na estrada, que serviu para
refrescar o calor. Após a chuva o tempo ficou fechado, mas
seco, o que ajudou na viagem. Mas o cansaço realmente
havia chegado de vez e foi preciso uma "parada técnica", próximo
a Rondonópolis para descansar ao pé de algumas arvores.
Acreditem, mas o companheiro Rocha estava dormindo em cima da
sua moto.
A maratona da última semana tinha sido muito
forte, acordando de madrugada todos os dias, dormindo tarde e
praticamente pilotando durante todo o dia, quando não a noite.
As 19:00h chegamos em Cuiabá, seguindo direto para a casa do
Paulo Rocha na Várzea Grande, onde os familiares e amigos já nos
esperavam. Dai para frente foi só festa e muita conversa
para contar os detalhes da viagem.
Bom, a aventura da dupla Alcioni e Paulo Rocha
havia terminado. Permaneci em Cuiabá ainda por mais uma semana e
no dia 31/03 peguei estrada novamente, seguindo mais 930km até
Goiânia.
É isso galera, uma viagem para ficar guardada na
lembrança para toda a nossa vida. Espero que todos aqueles que
tenham vontade de fazer a mesma coisa, consigam também realizar
os seus sonhos, não importando o tempo que leve. O importante
é ser persistente e correr atrás dos seus objetivos.
Um grande abraço a todos.
ALCIONI MARCIO FRITZ
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