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A HISTÓRIA
Era uma vez… Num sábado ensolarado (que não podia ser diferente em Cuiabá), peguei minha guerreira (XR Tornado) e fui para as maravilhosas trilhas de Chapada. Como eu estava meio atrasado, resolvi tocar direto até o Mirantinho, sem passar pelo posto bonitão. Já que eu estava sozinho, resolvi relembrar o Garimpinho, que há muito tempo já não passava por lá. Depois do Garimpinho, toquei em direção aos morros mais top’s. Mandei no Peneira, Bronca e por fim, Mirantinho. Lá encontrei alguns colegas, não eram da minha turma, mas já tinha andado com eles antes. Resolvemos seguir p/ o novo morro, que fica descendo as costas do Maridão à direita. Vejam bem... Já tinha passado pelo Garimpinho, Peneira, Bronca, Mirantinho e Maridão. Beleza!!! Chegamos ao entroncamento onde começa a descida para o tal morro novo. Observei que a descida era puro cascalho. Tudo bem, era para descer mesmo. Toquei seguindo o pessoal. Depois do "descidão" de cascalho, uma parte plana, e após um pequenino córrego, começa a subida. Passado esse córrego, vem a 1ª parte do morro, uma subida pura pedra, cascalho. Como eu estava por último, aguardei minha vez de subir. Vai um, vai outro, cai um, cai outro. E eu de olho. Ah! E sem contar o calor escaldante. Chegada a minha vez, toquei uma, duas e na terceira consegui passar essa parte. Detalhe: Eu já estava destruiiiiiiiido!!! Olhei para o resto da subida. Laaaaaaá em cima observei o pessoal apanhando para terminar a 2ª parte do morro. Desce um e outro para pegar embalo p/ subir. Cai um, cai outro. Já pensei né: “put’s, estou destruído, não dá mais, vou voltar”. Pois bem, resolvi mesmo voltar. Ok! E o morro de cascalho??? Bom, eu tinha que voltar. Toquei uma, duas, subia limitando, mandava de segunda. O foda era o “S” no meio do morro. Era passar por ele e o equilíbrio já estava comprometido. Mas como eu não desisto. Toquei de novo, e de novo... Faltavam de 01 a 02 metros para terminar o morro e a moto cravava no cascalho. Desci, tentei empurrar, pulava na moto e nada. Já não tinha mais força para nada. Resolvi descer e tentar outro lugar. Olho de um lado e nada, do outro, nada. Nada de alternativo. Resolvi entrar no cerrado e tentar fazer um alternativo, porém, sem sucesso. Depois de tentar num morrinho cheio de pedras, deixei a moto do jeito que ela caiu. Apenas desliguei a chave, fechei o registro do tanque e abandonei alguns equipamentos, como camelbak (com o documento da moto, chave, dinheiro), capacete, luvas e óculos. Peguei o celular, e nada de sinal. Resolvi, então, subir o morro a pé e tentar “achar” o sinal. Depois de uns 30 min subindo o morro (“put’s, estava foda subir com os equipamentos!), pego o celular e ai??? Naaaada de sinal!!! Sentei, olhei para um lado, para o outro, tentei escutar algum barulho de moto e nada. Já pensei: “se eu for para o Maridão, posso não encontrar ninguém, agora, se eu for para o Horacio’s, é mais garantido”. Feito, comecei a caminhar sentido Horácio’s. Hahahahaha... Não andei 05 metros e a bota pesou uns 500 kg. Resolvi tirá-la. Deixe-a ao lado da trilha (quem passasse por lá a encontraria). Pois bem, já sem a bota, começava minha caminhada de 02h20min até chegar ao Horacio’s. Caminhei, caminhei, caminhei, a noite caiu e caminhei, caminhei. Era pedra, cascalho, areia, galhos... Nossa!!! Meu pé doía demais. De repente eu xingava, resmungava, falava sozinho. E meu pé doendo cada vez mais. Só não tive animo para cantar. Eu já não via a hora de chegar pelo menos na estrada, pois parecia que eu já caminhava o dia todo. Toda curva que eu passava parecia que chegaria à estrada. Mas... Quando cheguei à estrada, veio um pequeno alívio. Pequeno porque ainda não tinha chegado ao fim da caminhada, porém, já tinha saído das dolorosas trilhas. Caminhei até o Horácio’s. Cheguei vivo, mas parecia mesmo um andarilho, todo sujo, e destruiiiiido!!! Sorte, a minha, que o pessoal do Horário’s, estava pintando o restaurante. Chegando lá, contei o ocorrido a eles, e pedi um celular emprestado para pedir um resgate. Depois de tentar ligar a cobrar para uns 03 colegas, ninguém atendeu (numero desconhecido). Um dos meninos viu meu desanimo e disse para ligar normalmente. Aí sim um dos colegas me atendeu. Contei o ocorrido, e passado uns 30 min, vieram me resgatar. Ah! Não se esqueçam que a moto ficou lá no meio do cerradão. Pois bem, com a ajuda da Alba Fritz (irmã do Cristiano Fritz) que me levou até o Horário’s no domingo pela manhã, do Nenê (Nenê motos – CPA) e do Carlinhos (filho Nenê) que me ajudaram a resgatar a moto, assim termina a história do ANDARILHO. Carinhosamente ou não, assim surgiu o apelido “Andarilho”, que foi colocado pelo “Véio”, pai do Théssio, no sábado seguinte lá no Kinka’s. O apelido caiu bem, andarilho anda e não se cansa, não desiste, sou brasileiro e brasileiro não desiste nunca. Obrigado a todos que de uma forma ou outra me ajudaram nessa história. Rodrigo Gasques - ANDARILHO
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