Conciliar as divergências de opiniões talvez seja o seu maior desafio, no entanto ele faz isso muito bem.

Cuidar da sua família, administrar empresas e ainda por cima presidir a entidade que gerencia as provas do Off-Road no Mato Grosso, são algumas das tarefas desse grande cara, que costumamos chamá-lo de André GutGut.

Aqui nessa entrevista você vai conhecer um pouco mais sobre o nosso Presidente da AMFE.  Ele aborda assuntos como vida pessoal, organização de provas, segurança, patrocínios e é claro, muito Off-Road.

 

Fotos: Acervo pessoal enviado pelo André

1) Nome completo?

André Godinho (André GutGut)

 2) Idade e data de aniversário?

35 Anos, 08 de dezembro (Nos últimos 9 anos, geralmente estou na Expedição Pantanal).

 3) Casado? Possui filhos? Quantos?

Sim, 1 Filha de 5 anos e 1 filho de 2 anos

 4) Há quanto tempo você está à frente da AMFE e como ela surgiu?

Estou há 9 anos à frente da AMFE. Ela surgiu em uma viagem vinda de um rally em Poconé com o Cacildo, onde nosso Jeep quebrou e pegamos uma carona em seu Fiat Coupe. Enquanto conversávamos (à quase 200 km/h e o Cacildo olhando para trás) vimos como estávamos insatisfeitos com a maneira que os Ralys aconteciam, desde a centralização nas mãos de poucos,  aos resultados.

Com a criação da AMFE, cada cidade fica preocupada em fazer a sua prova e com isso todos podem se divertir.

Outra questão é que os competidores gostariam que tivesse uma entidade que gerisse um campeonato, que até então não existia, pois eram provas "avulsas".

Acho que a AMFE funciona bem até hoje por não ter mensalidade. Nunca concordei com isso, desde que surgiu, a AMFE vive de porcentagem de inscrições, você não é filiado a AMFE, cada prova que participa você contribui para o crescimento do esporte.

5) Além da AMFE, quais atividades exerce? Como você faz para conciliar a vida profissional com as atividades do off-road?

Trabalho em uma indústria de refrigerantes local e acabamos de montar uma indústria de materiais de limpeza. Antes eu me dedicava mais, mas atualmente temos 10 organizadores altamente competentes e capazes de realizar suas provas o que tirou a minha preocupação. Hoje em dia dedico um pouco do meu tempo noturno para estas atividades.

6) Qual é a maior dificuldade que você encontra frente à administração da AMFE?

Fora ter que tentar fazer todos se darem bem é lembrar que é um hobby e não uma guerra, não tenho dificuldade nenhuma.

 7) Entre provas e expedições, você tem registrado quantos eventos Off-Road já organizou?

Expedições foram 6 (apesar de não considerar a expedição como organização, pois só informo o dia e a hora e as pessoas simplesmente aparecem).

Provas foram cerca de 15, nas cidades de Cuiabá, Chapada, Várzea Grande e Mimoso

 8) Em sua opinião, atualmente no Mato Grosso os treieiros estão mais ativos que os jipeiros? Se sim, você teria uma explicação para isso?

Se você definir "atividade" como fazer trilhas e participar de provas de Rally, acho que estão "mano a mano", pois pelo menos o pessoal de Cuiabá é bem ativo, quase todo final de semana temos jipeiros fazendo trilha.

 9) Como o Off-Road entrou na sua vida? Sempre foi a bordo de um Jeep?

Tudo começou em 1988 (faz tempo heim!) dentro de uma Belina, quando conheci 2 amigos de escola (JEAN NORD e o BABI) que gostavam de ir para Chapada para fazer trilha a pé, com isto conheci a caverna do Francês, a lagoa Azul, o Morro de São Jerônimo (no qual passei 5 reveillons consecutivos no topo), Caverna de Pedra, dentre outros.

Em 1990 quando comecei a namorar a minha esposa (JUCEMARA), entrei para o quartel e comecei a empregar tudo que aprendia de técnicas de combate e sobrevivência e com ela e com o BABI (O JEAN na época mudou-se para a Bélgica com uma namorada que tinha acabado de conhecer).

A partir de 1992 com a chegada de 2 primos meus (SANDRO e JUNIOR), eu e minha esposa começamos a nos especializar na arte de trilhas a pé, meu pai deixava nós 4 em um ponto qualquer da estrada de Chapada e ficávamos de 2 a 4 dias andando apenas com mochila nas costas, descendo rio com bóias de caminhão, construindo jangadas, tentando escalar os paredões da Salgadeira, passando fome, sede e frio, acampávamos dentro da Caverna do Francês (na época podia), etc.

Em 1993 juntou-se a nossa tribo um amigo de universidade (SALOMÃO) que também gostava deste tipo de aventura.

Em julho de 1996 casei com a JUCEMARA e ganhamos uma Belina do meu pai, só que a Belina tinha um pequeno problema: não conseguir chegar onde queríamos; ela enfrentava erosões com certa dificuldade; em areões então não podia vacilar...

Em Fevereiro de 1997 decidimos vender a Belina e comprar um Jeep Willys (O atual GutMóvel), aí sim começamos a chegar onde queríamos, só tinha um porém, não tínhamos pensado que ele era nosso veículo de trabalho e de lazer, ou seja, segunda-feira ia trabalhar cheirando a gasolina e barro. Quando compramos o Jeep, conhecemos o pessoal do Jeep Club Cuiabá que deu o pontapé inicial.

 10) Sabemos que a sua esposa compartilha da mesma paixão pelo off-road.  Sempre foi assim, ou ela aprendeu contigo?

Ela sempre gostou de esportes radicais e quando compramos o Jeep já estávamos juntos há 7 anos; então foi uma decisão a dois.

 11) Existem muitas mulheres praticando o Off-Road em jeeps no MT?

Tem bastante, mas poderia ter mais. Lembro que quando comecei ir às reuniões do Jeep Club, tinham apenas 3 mulheres.

A vantagem do Jeep é que a família toda pode compartilhar.  Atualmente meus 2 filhos fazem trilha conosco.

12) Além das provas no MT, sabemos que você já participou de competições em outros estados. Quais foram e qual foi a experiência trazida de fora?

Participei de apenas 1 prova fora do estado, foi uma prova CROSS COUNTRY chamado RALLY TERRA BRASIL, foi uma prova de 2000 km durante 4 dias dentro do estado do Espírito Santo.

Eu sempre falo que foi uma experiência única e quem tiver oportunidade deve participar, só que descobri que não é este tipo de competição que gosto. Você estar andando em trilhas apertadas acima de 140 Km/h achei que não compensa o risco.

Prefiro andar 10 km em 1 dia dentro do Pantanal.

Agora a parte organizacional da prova é um show, de manhã está todo o circo armado e à noite a 500 km dali, o mesmo circo está armado novamente (tem que ter uma estrutura de pessoas e competência grande).

13) De todos os eventos em Off-Road que você participou, tem algum que ficou marcado?

Expedição Pantanal 2000 (que choveu no local exato e na hora exata)

Rally da Meia Noite (Cuiabá-Chapada-Cuiabá) (A subida da serra da TELEMAT pelos competidores um pouco antes de raiar o dia, aqueles faróis iluminando para cima) (E principalmente o nascer do sol na estrada do Manso foi inesquecível);

Expedição Pantanal 2003 (realizei meu sonho de atravessar o Rio Cuiabá de Barão para Várzea Grande);

Expedição Pantanal 2006 (3 dias de Expedição foi ideal).

 14) Sempre há polêmica em competições, algumas até desgastantes.  Em alguns períodos, principalmente no ano passado, houve muitas discussões sobre as provas, organização, pontuação, etc, inclusive competidores dizendo que iriam abandoná-las.  Você atribui isso a algum fator? O que poderia ser feito para que as polêmicas fossem mínimas?

A cada ano que passa aprendemos coisas novas, ano passado realmente foi bem desgastante, mas neste ano descobrimos uma coisa "incrível", se a entidade tiver dinheiro conseguimos progredir (não é incrível?), como aumentamos a arrecadação por piloto inscrito, agora podemos deslocar um técnico (HAROLDO) para ficar 4 dias a disposição dos organizadores de provas fazendo desde levantamento, treinamento de PCs até a entrega da planilha final (caso a organização deseje) e também um técnico para a apuração (EU). Com isto todos ganham e a AMFE também, pois em 3 provas já compramos R$ 6.600,00 em equipamentos.

 15) Podemos dizer que as nossas provas no MT já tomam corpo de eventos "profissionais" ou ainda são feitos para "diversão"?

Apesar de tudo, com exceção do Haroldo, não somos profissionais. Todos os organizadores são comerciantes, industriais, fazendeiros, engenheiros, etc. Não temos pessoas que "vivem disso", mas a parte técnica considero profissional.

16) Segurança,  esse fator é muito importante no off-road.  No MT esse é um item que ainda deixa a desejar ou já esta bastante evoluído nos eventos off-road ou até mesmo nas trilhas de finais de semana?

Já deixou a desejar, mas hoje em dia está bem melhor até porque os veículos são bem mais seguros e os competidores estão mais conscientes; mas sempre temos que fiscalizar para relembrar os competidores.

 17) Em termos de AMFE.  Você já pensou algum dia em deixar a função? Se sim, na sua opinião quem deveria assumir o seu papel?

Já pensei algumas vezes, mas sempre me convencem a ficar. Tem muitos organizadores que poderiam assumir minha função.

18) Patrocínio.  Esse item é importante em todos os esportes, aliás, podemos dizer que é vital quando falamos de se viver do esporte.  O Off-Road, principalmente em jeeps, é um esporte que demanda um alto custo de manutenção.  Hoje podemos dizer que no MT já existe interesse de algumas empresas em divulgar as suas marcas ou tudo ainda é feito com os recursos dos próprios pilotos e navegadores?

Patrocínio é muito importante, o problema é o desgaste de perder dias correndo atrás, enquanto alguém não assumir isto não conseguiremos nada. Eu particularmente só tenho meu tempo noturno à disposição. Agora a melhor prova no sentido patrocínio é Sinop, sempre brinco que o Miro deve mudar para Cuiabá para nos ajudar. As provas ainda são feitas com recursos dos próprios pilotos e navegadores.

19) Meios de comunicação.  Nem sempre eles estão presentes para divulgar os eventos Off-Road.  Você atribui isso a falta de interesse do publico ou a dificuldades e custos para se cobrir uma prova? Teria uma sugestão a respeito disso?

Na verdade o que sinto é que o público gosta bastante, mas a TV se preocupa demais com futebol por ser um esporte das massas e o Rally ser considerado de elite. Na verdade se tivesse alguém de dentro de nossa instituição que "corresse atrás", não teríamos tanto problema, pois nós nos especializamos na parte técnica e não temos o "dom" do marketing.

 20) Em termos de Off-Road, quais os planos para o futuro?

Meu sonho é na parte técnica, quero um PC Eletrônico onde não tenha a interferência humana, infelizmente ainda é muito caro um sistema desses, mas acho que com o tempo chegaremos lá.

 21) Qual a mensagem que você gostaria de nos deixar?

"Sonho que se sonha só é apenas um sonho, sonho que se sonha junto é realidade", é isto que penso da AMFE.

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