Altitude

Vai para a Argentina, Chile, Peru ou Bolivia?

Como encarar estradas a mais de 4 mil metros de altitude com relação ao nível do mar.

Primeiramente gostaria de esclarecer que não sou médico nem profissional da área de saúde, por isso os comentários colocados nesse post são apenas dicas informais com base em experiências vividas nas diversas viagens internacionais de motocicleta, à países como Argentina, Chile, Peru e Bolívia, onde as estradas percorrem trechos próximos à 5 mil metros de altitude.

Se você esta planejando uma viagem a lugares cuja altitude é muito elevada, minha primeira sugestão é que procure um médico de confiança, onde poderá esclare-

cer e certificar se no seu caso existe a necessidade de algum cuidado especial.  Mas se você possui alguma doença ou anomalia relacionada ao coração ou ao sistema respiratório por exemplo, procurar por um médico é uma atitude que eu diria obrigatória.

Mas fique tranquilo, a menos que possua uma situação muito grave, dificilmente você deixará de fazer sua viagem, basta que tome os cuidados e alguns casos os medicamentos necessários.

No meu caso por exemplo, faço diariamente o controle de pressão alta onde necessito tomar medicamento.  Na primeira viagem que fiz ao Deserto do Atacama,  a pressão sanguínea estava controlada e apesar da altitude encarada ter sido bem elevada, a passagem foi rápida, assim não houve nenhuma necessidade especial.  Na segunda viagem,  feita então ao Peru, a situação foi diferente porque fique vários dias em altitudes elevadas. Então durante o check-up o médico sugeriu a mudança do medicamento. Mas cada caso é um caso, por isso o primeiro passo realmente é procurar um médico, mesmo que você acredite não possuir nenhuma doença.

 

Bom, passado por essa primeira fase, outra situação que você devera considerar é o clima da região que ira passar. Não se engane, mesmo no verão, lá em cima o clima pode ser bem diferente.  Vou dar exemplos:

Peru: No mesmo dia saímos de uma temperatura de 40 graus a mais ou menos 400 metros de altitude para 0(zero) graus a 4.750 metros de altitude, Ainda nessa viagem e sob a mesma altitude, pegamos neve em pleno mês de março.

Bolívia: No mesmo dia, saímos de 3.800 metros em Lá Paz, subimos a mais de 4.200 metros onde pegamos neve, em seguida descemos a 1.500 metros com um calor de 36 graus.

Chile: No mesmo dia pegamos três diferentes situações.  Saímos de 2 mil metros de altitude com temperatura na casa dos 20 graus, subimos a 4 mil metros com temperatura na casa dos 30 graus e depois subimos a 4.850 metros pegando 0(zero) graus.

Chile: Saímos de 2.500 mil metros em San Pedro do Atacama com temperatura na casa dos 16 graus as 9 horas da manha e subimos para o deserto à 4.850 metros pegando a temperatura de 9 graus negativos.  Isso mesmo, -9 graus em pleno mês de março.

 

Veja que são situações bem diferentes com temperaturas que variam muito.  Mas uma coisa é fato, a probabilidade de se pegar baixas temperaturas a altas altitudes é certa.

Então a segunda dica é: Prepare-se com roupas e equipamentos apropriados. Aquecedor de manopla parece um luxo, mas acredite faz uma grande diferença e vale a pena pensar a respeito e instalar um. Existem outras opções mais baratas, como por exemplo proteções de punho onde "se veste" a mão dentro de um objeto feito de lona, o qual é instalado nas extremidades do guidão da moto, impedindo o contato direto com o vento. Esse no meu ver é o mais eficiente de todos. Fui ao Ushuaia com esse recurso e o mesmo se mostrou extremamente eficiente, ao ponto de pilotar na maioria dos trajetos com uma luva normal de estrada.

Quanto às roupas, não cometa a besteira de deixar para reforçar a forração no momento em que esfriar.  Ai seu corpo já poderá até estar em processo de hipotermia.  Muito CUIDADO com isso.

O ideal é você já começar a subida com as roupas necessárias.  Nas viagens de moto por exemplo, as luvas e as botas tem que serem apropriadas e preferencialmente impermeáveis.  Não improvise, opte por material com qualidade. No caso da bota não ser impermeável, utilize as capas apropriadas que impedem a entrada de água.

Outra dica é usar continuamente a capa de chuva, mesmo que não esteja chovendo.  A capa protege conta os ventos gelados, os quais são responsáveis pela sensação térmica ser mais baixa que a temperatura ambiente.

 

Já abordamos os cuidados com a saúde e com o frio, agora vamos falar da situação que mais diverge de pessoa para pessoa, que é o "O mal da montanha", também conhecido como doença das alturas ou hipobaropatia"

Aqui não há regras, cada pessoa reage de uma forma diferente e essa mesma pessoa poderá também ter reações diferentes a cada vez que enfrentar grandes altitudes.

A única coisa certa é que um bom preparo físico ajuda muito, principalmente na parte que se diz respeito a sensação de cansaço e respiração curta(ofegante).

Nas viagens que fiz tive a oportunidade de ver colegas não sentindo absolutamente nada e outros tendo todos os sintomas possíveis. Eu mesmo enfrento sintomas diferentes a cada viagem, mesmo com altitudes muito parecidas.  O tempo de permanência e as condições físicas fazem muita diferença.

 

Os sintomas mais comuns são:

  • Cansaço mesmo sem fazer esforço. Praticamente todos sentem isso porém com intensidades diferentes;

  • Respiração curta ou ofegante. Da a impressão que falta ar;

  • Náuseas;

  • Dor de cabeça;

  • Dificuldade de digestão;

  • Dores nas costas;

  • Tontura ou vertigens. Nesse item tome muito CUIDADO. Se não estiver passando bem, pare imediatamente a motocicleta e avise os demais colegas. Um desmaio pilotando poderá causar um grave acidente!

Então o que devemos fazer?

Em algumas viagens apenas passamos por lugares altos e logo em seguida voltamos para altitudes menores e mais adaptáveis.  Em outros casos o destino da viagem nos obrigara a ficar vários dias em altitude elevadas, como por exemplo viagens ao Peru e à Bolívia.

O ideal é fazer a subida de forma gradativa em vários dias, ficando pelo menos um dia em cada nível onde seu corpo vá se adaptando àquela altitude. Normalmente até 2 mil metros o corpo humano costuma responder bem e não ter grandes reações.  Porém a partir daí cada um poderá ter reações diferentes.

Se não for possível ficar fazendo escalas por falta de opções de hospedagem e até mesmo tempo de viagem, existe a opção de levar um pequeno cilindro de oxigênio, onde em casos de emergência o uso dele poderá contornar os sintomas durante o deslocamento. Mas isso apenas em caso de emergência. Não será necessário ficar utilizando o oxigênio a todo momento, até porque o cilindro é muito pequeno e serve apenas para alguns minutos em uma emergência. Em um carro esse transporte seria mais fácil, mas em caso de moto fica difícil carrega-lo. Eu nunca levei, mas cada pessoa ou situações são diferentes e cada um precisa se prevenir conforme a sua necessidade particular.

MAS ATENÇÃO! Não abuse se os sintomas apresentados forem demasiadamente fortes. O ideal é sair rapidamente daquela altitude, retornando para níveis onde seu corpo volte a condição normal ou dentro dos parâmetros aceitáveis.

 

Ao chegar em um local onde for ficar alguns dias em altitude elevada, é preciso tomar alguns cuidados que com certeza lhe trarão vários benefícios já no dia seguinte, mesmo que aparentemente não esteja sentido nada:

  • Não tome bebidas alcoólicas, o efeito é altamente potencializado em altas altitudes e além da tontura o corpo fica mais cansado e a respiração ofegante;

  • Evite comidas pesadas ou muito gordurosas.  Na altitude sua digestão fica muito lenta e lhe trará sensações desagradáveis. Mesmo que a fome seja enorme, troque o prato de macarrão por uma sopa leve;

  • Não faça esforços físicos. Preferencialmente use o primeiro dia apenas para ficar descansando;

  • Hidrate-se, tome muita água.

  • Procure respirar normalmente, mesmo que ache que esta faltando ar.  Porém procure ajuda se for um caso onde o incomodo esteja muito grande. Nas cidades mais turísticas, a maioria dos hotéis possuem cilindros de oxigênio a disposição dos hospedes, porque já sabem que essa é uma reação normal em altas altitudes.

Fazendo isso no primeiro dia, na maioria dos caso já proporcionará um segundo dia bem mais tranquilo, onde você já poderá fazer pequenas caminhadas e porque não tomar uma cervejinha gelada ou uma taça de vinho. Geralmente no terceiro dia você já estará bem mais adaptado, porém não exagere no esforço físico, porque realmente o cansaço vem rápido.

 

Como disse acima, essas são algumas dicas feitas sob experiências pessoais de viagens feitas de moto à Argentina, Chile, Peru e Bolívia, que possuem rodovias e cidades em locais bem altos, mas não sou especialista no assunto e nem pretendo ensinar o que fazer.  Recomendo que para cada lugar que você vá, procure por dicas sobre a altitude que ira enfrentar. Em casos por exemplo de escaladas em montanhas, os cuidados são muito maiores e requerem muito mais preparo.  Aí nesse caso não tenho nem como opinar porque não tenho experiência nisso.

 

Por último, gostaria de dizer que esse é um tema que muito me incomodava no inicio das minhas viagens internacionais de moto.  A primeira reação era o medo do meu corpo não reagir bem e ter que abortar a viagem por causa disso. Porém não é bem assim. A menos que você tenha um problema grave de saúde e por isso é muito importante consultar um médico, a maioria das pessoas podem viajar tranquilamente desde que tenham os cuidados necessários.

A sensação de desconforto realmente existe, principalmente a sensação de cansaço. Empurrar a moto um metro para frente já é suficiente para você ficar ofegante. Evite se hospedar ou parar em locais que necessitara empurrar a moto.

Porém nosso corpo de adapta a essas situações e a beleza que encontramos em lugares como as Cordilheiras valem esses sacrifícios.

 

Muita atenção em viagens com grupos de motociclistas ou garupa. É preciso respeitar e entender que cada um ira reagir de forma diferente e os demais colegas tem que estar preparados para aceitar isso e aguardar a adaptação de cada um. Afinal parceiro é parceiro!

 

Sucesso e uma ótima viagem para você.

  

Alcioni Marcio Fritz

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