Curitiba - Buenos Aires - Montevideo

Do dia 11 de outubro até 19 de outubro de 2014, tínhamos exatamente 9 dias para completar essa tarefa. Então o negócio era andar muito todos os dias.

E tudo começou com a disponibilidade no trabalho de poder tirar uma semana de folga. Pensei em várias possibilidades e com toda certeza todas elas envolviam uma viagem de moto. Visitar parentes e amigos em outras cidades do Brasil era uma opção, mas ai veio a ideia de conhecer um lugar diferente e esse lugar era Buenos Aires.  Apesar de já ter ido varias vezes à Argentina, inclusive de moto, essa cidade ainda não fazia parte do currículo.

 

Então falando com o colega Sidney que já havia me acompanhado em março desse ano em uma viagem ao Chile, na hora topou ir junto, inclusive para testar a nova ST1200, que acabara de comprar.

 

Sem ter muito tempo para organizar o trajeto e principalmente o que fazer na viagem, juntei alguns roteiros e mapas já utilizado em 2012 na viagem para o Uruguai e definimos que iríamos também por esse país, atravessando depois para Buenos Aires de navio, mais conhecido como Buquebus.

Curitiba a Santa Maria - 882Km - 11/10/2014

Definido o roteiro, saímos então no dia 09 às cinco da manha da cidade de Curitiba, percorrendo a BR116 até Caxias do Sul.  Lá fizemos o contorno por fora da cidade através da RS122, passando por belíssimas regiões de cultivo de uva para fabricação de vinhos(Flores da Cunha RS). Podíamos ter seguido via 116, mas uma opção de fazer um trecho desconhecido até então. Depois o trajeto foi pela RS129 e RS405, passando por Garibaldi e Santa Cruz do Sul, chegado então em Santa Maria RS, onde pernoitamos e também fizemos presença no famoso Encontro Mercocicle, organizado pelo Moto Clube "Gadérios do Asfalto", podendo visitar o amigo e conhecido motociclista Renato Lopes.  Renato é o motociclista mais experiente que conheço em viagens de moto.  Onde você pensar ele já foi de moto.

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Santa Maria a Colônia Del Sacramento- 768Km - 12/10/2014

No dia seguinte saímos não tão cedo, mas ainda pela manha e seguimos até Rivera, cidade Uruguaia que faz fronteira com o Brasil.  Por lá almoçamos, compramos Peso Uruguai e Argentino também (estava muito barato), e também tirei a minha Carta Verde (comprado do lado brasileiro), que não havia dado tempo de fazer em Curitiba. Deu um pouco de trabalho encontrar em Santana do Livramento uma Seguradora aberta em um domingo, mas depois de algumas paradas para perguntar, logo encontramos um senhor muito solicito que fica 24 horas de plantão.  O escritório fica na avenida João B Goulart, telefone 55-9973-2184, Altamar Seguros. 

Almoçados, ainda tínhamos 525Km para percorrer pelo interior do Uruguai até Colônia.  Literalmente essa quilometragem corta todo o interior do Uruguai.  Esse trecho tem poucas cidades, praticamente só estradas e muitas delas retas e mais retas.

Chegamos ao nosso destino no inicio da noite de domingo, Colônia sempre bela com seus antigos prédios iluminados com luzes, os bares com suas mesas arrumadas com velas acessas e sobre as calçadas, dão um charme especial a essa bela e pequena cidade.

Arrumamos um hotel e após jantarmos fomos descansar porque no dia seguinte sairíamos para a Argentina.

Colônia Del Sacramento a Buenos Aires - 13/10/2014

Hoje não andaríamos de moto.  Optamos por deixar elas em Colônia, guardadas em estacionamentos particulares.  Como ficaríamos apenas 2 dias em Buenos Aires, atravessar as motos no navio iria requerer um custo elevado e desnecessário.  Há também os tramites alfandegários que sempre são chatos e demorados.

A travessia é feita por embarcações modernas e muito rápida, apenas 1:15h. Aqui um parênteses, os barcos não são velhos, porem estão mau conservados no que se diz respeito a limpeza.  Por ser um lugar de turismo deveria ser mais cuidado.  O custo ficou em 120 reais por pessoa, ou 240 ida e volta.

Os navios contam com FreeShoping porem os preços em dólar não são convidativos.  Também tem restaurante, tudo pago a parte, mas vale a pena o passeio, aliás é um belo passeio.

São 3 empresas diferentes que fazem a travessia, mas a mais conhecida é a Buquebus.

ATENÇÃO: Compre sempre a passagem de ida e volta.  Não deixe para comprar a volta isoladamente sob pena de você não conseguir vaga.  Outro detalhe importante, é guardar o ticket da ida com o carimbo da alfândega, enquanto estiver em território argentino.

Em Buenos Aires ficamos então dois dias, muito pouco para conhecer aquela belíssima cidade, mas era o tempo que tínhamos.

Registro que em nenhum momento tivemos problemas com o tratamento dos Argentinos, sempre disponíveis e solícitos, nos atenderam muito bem, inclusive no show de tango onde fomos, não havíamos feito reservas antecipadas e estava lotado, mesmo assim eles deram um jeito e nos acolheram sem problemas, inclusive fizeram um preço mais barato que estava no site.  O nome do local é "Café de Los Angelitos". Como se diz, "Tango Puro", sem firulas.

Buenos Aires é uma cidade com muitas atrações e como uma cidade grande tem seus altos e baixos, assim é bom se informar para não entrar em "roubadas".

Não deixe de fazer o passeio com o Ônibus de Turismo, que te leva a vários lugares turísticos da cidade.  Por 24 horas o bilhete lhe da direito a subir e descer em vários pontos para visitar.

Porto Madeiro na minha opinião é o lugar mais belo, é uma parte moderna da cidade, onde uma antiga região portuária foi transformada em vários pontos comerciais, como restaurantes e instalações de moderníssimos prédios com escritórios de grandes multinacionais.

Segurança me pareceu uma coisa tranquila, mas como toda grande cidade, é claro que não dá para descuidar.

Buenos Aires a Montevidéu - 181km - 15/10/2014

É hora de voltar.  Acordamos cedo e pegamos o primeiro Buquebus de volta para Colônia no Uruguai.  A embarcação saiu às 08:30h. Existe diferença de fuso horário entre a Argentina e o Uruguai.

Em Colônia pegamos as motos, trocamos de roupa em um posto de combustível ao lado do porto e saímos em direção a Montevidéu.  Outra belíssima cidade, com praticamente 20km de região costeira, varias praias e muitos lugares para se conhecer.  Pena que nosso tempo era curto e nossa programação não constava pararmos por aí.  Assim apenas paramos no tradicional Mercado do Porto para degustar a mais famoso churrasco do Uruguai. Almoçados, pegamos estrada novamente.

Um ponto de atenção ao passar por Montevidéu.  Evite o transito da região Central.  Se possível utilize as vias costeiras que são mais belas e tranquilas.  O transito no centro é bastante caótico.

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Montevidéu a Punta Del Oeste- 140km - 15/10/2014

Ainda no mesmo dia seguimos então para Punta Del Este, onde pernoitaremos.

É um trecho curto mas muito bonito.  Pistas duplas em todo caminho, muito conservadas e bem sinalizadas.  Alias as estradas no Uruguai são na maioria muito boas e tranquilas.  Nessa trajeto dois belos lugares para se conhecer. Piriapolis é uma pequena cidade balneário, você precisa sair da rodovia principal e entrar para conhecê-la.  Vale a pena.  Muitas pessoas preferem ficar em Piriapolis devido o custo ser m=bem mais em conta que a cara e badalada Punta del Oeste.

Outro ponto imperdível é Bunta Ballena, já bem próxima a Punta Del Oeste.  Vc também precisa sair da rodovia principal e seguir por uma curta estrada que te leva

até a península.  Tente chegar nesse lugar ao fim do dia.  A visão do por do sol é única, porque além de bela, é um dos raros lugares que se é possível ver o por do sol no Oceano Atlântico. A foto acima ilustra bem o que falo. Nesse lugar existe um museu, que da nome ao lugar de Punta Ballena.

Curiosamente encontramos um motociclista Coreano que estava viajando nas Américas em uma CG125 comprada na Argentina.

Em Punta nos hospedamos no hotel Castilla, que fica próximo a Marina.  É a segunda vez que fico nesse hotel e pelo alto custo de tudo na cidade, o preço é razoável.  Pagamos 70 dólares a diária dupla.

A situação climática que nos ajudara até aquele momento começava a virar.  Começou a chover e a esfriar.

Punta Del Oeste a Pelotas RS (Brasil)- 500km - 16/10/2014

Na manha seguinte acordamos cedo e partimos em direção ao Brasil.

Mas antes uma parada para tirar uma foto em frente ao monumento "Los Dedos", escultura que lembra a "Mão do Deserto" no Atacama.

Temperatura baixa e chuva. Porem escolhemos fazer um trajeto diferente, percorrendo a Ruta 10.  Essa estrada percorre todo o litoral e boa parte não é pavimentada. Depois de visitarmos o Farol de José Inácio, atravessamos uma "minúscula balsa" e iniciamos o trajeto em estrada de chão.  Mesmo chovendo a estrada estava boa, bem cascalhada e plana. Nossa intenção era chegar até La Paloma pela Ruta 10, mas antes de chegarmos tivemos que pegar outra estrada e voltarmos para a Ruta 9, que é a principal e asfaltada. Ocorre que no caminho existe a "Laguna da Rocha" e as autoridades locais não permitem você atravessa-la pela praia, uma vez que não existe estrada ou embarcação par atravessar essa lagoa.

Antes de passar a fronteira, uma parada para conhecer a "Fortaleza de Santa Teresa.  Fica na beira da Ruta 9 e vale a pena o passeio.  É um museu belíssimo, administrado pelo Exercito Uruguaio.

Chegando na fronteira demos baixa na documentação.  Aqui um ponto de atenção.  Bem ao contrario da entrada por Rivera, os funcionários da alfândega foram confusos e extremamente "secos".  No meu caso nenhum problema, carimbou meu passaporte e pediu a placa da moto para dar baixa.  No caso do colega Sidney se recusou a dar baixa no veiculo, dizendo que não precisava! Ao insistir que deveria ser feito, o funcionário de forma seca falou que não era responsabilidade dele controlar fluxo de veículos!  O que entender??? Porque tratamento diferente???

Uma parada rápida para almoço em Chuí no Brasil, visitamos algumas lojas da fronteira mas os preços não estavam nada convidativos.

Seguimos então para Pelotas, passando pela Estação Ecológica do Taim no Rio Grande do Sul. Nesse trajeto deve-se tomar muito cuidado porque são muitos animais na pista. Encontramos duas tartarugas tentando atravessar a pista e como são muito pequenas, muito provavelmente iriam ser atingidas por algum carro.

Paramos e vimos a posição que estavam indo e demos uma pequena ajuda conduzindo elas para o outro lado da pista.

Chegamos no inicio da noite em Pelotas, a chuva continuava e pelo que vimos no caminho a chuva tinha sido muito forte na região.  Tudo estava alagado.

Pelotas é uma cidade com poucas opções de hotel.  Com isso o custo é alto, então é bom programar-se. Ficamos no Hotel Curi.  Também tem o Curi Palace, mas é mais caro.

Uma dica para esse trajeto. Da Reserva do Taim até a cidade de Rio Grande não há postos de combustível, é bom andar com o tanque cheio. Tem um trecho de 100km sem nenhum recurso.

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Pelotas a Praia Grande SC- 467km - 17/10/2014

 

Tínhamos a intenção de conhecer os cânions de Cambara do Sul e estávamos programados para ir até essa cidade. Porem a chuva constante mudou nossa programação e passando por Porto Alegre mudamos o roteiro até Torres onde fomos fazer uma rápida visita ao Charles, um amigo motociclista que trabalha na PRF.

Atenção ao passar pela FreeWay entre POA a Osório, não há postos de combustível, é preciso estar com o tranque cheio.

Como a chuva deu uma trégua a partir de Torres, resolvemos então seguir até o pequeno município de Praia Grande e se o tempo ajudasse, no dia seguinte subiríamos a serra por uma estrada de terra, a RS450 e 427. A cidade é muito pequena e sustentada pela agricultura, principalmente plantio de arroz em várzea, com isso hotel é uma raridade, mas conseguimos encontrar um cuja família proprietária foi muito simpática conosco.  O hotel estava cheio porque havia acabado de chegar uma excursão para conhecer o Parque Nacional Aparados da Serra.

Praia Grande a Lages - 432km - 18/10/2014

As 6 da manha o dia começou com o sol brilhando e tudo indicava que conseguiríamos subir a serra, apesar de alguns moradores alertarem para o risco de ter muitas pedras soltas e perigo de cortar o pneu das motos.

Mas as 08 horas da manha tudo mudou.  Do nada veio uma tempestade muito forte e mudou todos os planos.

Resolvemos tentar fazer a volta pela Rota do Sol, a rodovia RS486 e de lá seguirmos para Cambará.  Mas a chuva não deu trégua e tivemos que abortar.  Até parar em um posto e aguardar a tempestade passar fizemos.  Muitos raios estavam deixando a viagem perigosa.

Seguindo pela mesma estrada que em um trecho adiante passa-se a chamar BR 453 até Caxias do Sul, encontramos um motociclista acidentado, que havia caído com a sua CG125 em um das centenas de buracos na pista.  Com a chuva ele não viu e ao tentar desviar derrapou e caiu.  No chão estava uma menina de apenas 17 anos que batera a cabeça no chão e havia desacordado.  Paramos para ajuda-los e aí ficamos por exatas duas 2 horas que foi o tempo levado para o Samu atender.  Um verdadeiro absurdo. A própria PRF que havia chegado no lugar ligou diversas vezes para a assistência e nada deles chegarem.

A chuva não parava e estava frio.  Enquanto corri em um vilarejo próximo para procurar socorro, o Sidney ficou sinalizando o lugar. Como não haviam recursos, tudo muito precário na região, apenas consegui ligar para o socorro de um posto policial que não tinha nenhum policial, apenas uma família civil que morava no lugar e que apoiaram ligando para os Bombeiros.

Ao retornar no lugar do acidente vi que a menina estava com muito frio porque estava deitada imóvel no chão e corria o risco de entrar em estado de choque.  Nessa hora vale estar preparado.

Em minhas viagens carrego sempre um estojo de primeiros socorros e nele existe uma manta térmica de alumínio. Fina e leve, porem eficiente para manter o calor do corpo.  Cobrimos então a menina com essa manta até chegada do resgate.  Uma médica passando pelo local também parou e ficou dando assistência. Parabéns à profissional pela atitude. Recentemente recebemos a noticia que a menina passa bem e que já esta recuperada.

Depois do ocorrido seguimos viagem até Caxias, onde a chuva continuava..  Ainda sem almoçar, paramos em alguns restaurantes mas já era tarde.  Fizemos um lanche e subimos a serra da BR101 com muito cuidado, asfalto molhado e liso até a divisa com Santa Catarina.  Lá a chuva parou e chegamos até Lages onde pernoitamos.

Tem coisas que não tem como explicar, talvez fosse o destino.  Tentamos por diversas vezes e de diversas formas conhecer os cânions e não conseguimos, acabamos tomando uma estrada que estava totalmente fora do nosso itinerário original, mas o destino acabou nos levando a esse casal de motociclistas que estavam precisando de auxilio. São coisas que acontecem na vida da gente e ficam sem explicação.  Graças a Deus que tudo acabou bem.

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Lages a Curitiba - 370km - 19/10/2014

É hora de chegar em casa.  Domingão amanheceu com chuva, que nos acompanhou até a metade do trajeto pela BR116. Aos pouco o sol foi aparecendo e esquentando.

Chegamos em Curitiba por volta das 14 horas sem problemas.  O trecho foi tranquilo e graças a Deus mais uma viagem completada.

Foram 3.750km, ficando um gostinho de quero mais e sem duvida Buenos Aires precisa ser visitada novamente.  Dois dias por lá foram poucos mas pelo tempo que tínhamos foram perfeitos para se ter uma noção da cidade e o que ela pode oferecer.

Em 2012 também havia percorrido as Serras Gaúchas e Uruguai em uma semana.  Fica claro que esse tempo é suficiente para realizar o percurso, porém será sempre uma viagem onde praticamente todos os dias haverá necessidade de pegar estrada.  Por isso é necessário você pensar qual o seu projeto, se é rodar e conhecer o maior numero possível de lugares, que foi o que fizemos, ou então seguir e retornar sem muitas paradas, escolhendo um local específico para ficar 2 a 3 dias.

Vou ficando por aqui.  Caso queiram alguma informação, nos contate pelo Facebook.

 

Alcioni Marcio Fritz

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