Deserto do Atacama 2010

Em 2008, após ter voltado de uma longa viagem de 9 mil km de moto pelo Brasil,  surgiu a idéia de fazer uma viagem para o exterior. Alguns planos foram feitos, mas oportunidades não aconteceram, era preciso preparar-se mais, amadurecer a idéia, obter experiência com outros amigos que já tinham feito essa aventura e, agora em 2010 o sonho começa a tornar-se realidade.

Primeiro veio a confirmação do meu irmão Cristiano, que morando em Cuiabá MT, comprou sua XT660 e avisou: Eu também vou!

Em seguida, Paulo Rocha também de Cuiabá e velho companheiro de trilhas e estradas também confirmou presença, ele e sua inseparável XT600 que já conhece muita estrada.

Aqui pelo lado de Goiânia, o amigo Jairo vendo a movimentação levantou a bandeira e adentrou ao grupo.

Alguns meses se passaram, os preparativos já estavam acontecendo, o roteiro também já traçado, quando surge mais um companheiro pronto para encarar a viagem.  Maurão de Goiânia também confirma presença e assim fechamos o grupo que ira percorrer os 10 mil quilômetros pela América do Sul, entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Dentro do que esta planejado, dia 28 de fevereiro, domingo às 06 horas da manha começa essa aventura, onde sairemos em 03 motos aqui de Goiânia GO e duas motos saem de Cuiabá MT, nos encontrando dois dias depois em Foz do Iguaçu PR e no dia seguinte entramos na Argentina.

Mas não estamos sozinhos, na garupa esta a minha esposa Magali e na garupa do Mauro, a sua esposa Kelly. Elas nos acompanham na primeira etapa da viagem até Santiago do Chile, depois retornam de avião.

 

Em seguida nós cinco continuaremos viagem, retornando pelo Deserto do Atacama, região onde percorreremos trechos acima de 4.200 metros de altitude e clima extremamente arido. Sem duvida, uma viagem para se tirar muita foto, fazer vários vídeos e guardar na lembrança por toda a vida.

E para os amigos e familiares que irão acompanhar nossa viagem, iremos estar postando as noticias e fotos da aventura através dessa pagina.

É isso amigos, espero que todos que visitarem o site e acompanharem a aventura, curtam as histórias e imagens que estaremos enviando pela internet.

Um grande abraço a todos e que Deus nos guie por todas as estradas onde passarmos.

GOIÂNIA - 26/02/2010

Faltando um dia para a nossa saída, os amigos nos convidaram para comemorarmos a viagem.

De camiseta preta Rafael, Rodrigo, Alcioni (em pé), Valéria, Dani e "Tete", Kelly e Magali (escondidas), Delzira e Jairo já devidamente uniformizados com a camiseta da viagem e Mauro.

Obrigado aos amigos pelo convite e pela bela noite que tivemos.

Em Cuiabá, Cristiano e Paulo Rocha mandaram noticias que o calor passa dos 35 graus e que as malas estão prontas para também saírem nesse sábado.

Aqui em Goiânia a saída esta marcada apara o meio-dia, na Concessionária Kawasaki, onde a galera já marca presença todos os finais de semana.

 

1º Dia - Sábado 27/02/2010

Hoje percorremos 540 km entre Goiânia e São Jose do Rio Preto SP, chegamos às 20horas, em uma viagem tranqüila.  Pegamos um pouco de chuva e um bloqueio na estrada devido a um acidente com uma carreta, demorando um pouco mais do que estava previsto, porém tudo ocorreu dentro da normalidade.

O que não estava previsto foi a noticia dada pelos amigos logo pela manha, que ocorrera o segundo maior terremoto da história no Chile durante a madrugada.  Assim a manha de sábado foi agitada, pois por um momento não sabíamos o que fazer.  Mudar o roteiro ou dar continuidade.  Optamos em seguir viagem conforme programado, porém na segunda feira quando estivemos em Foz do Iguaçu, iremos tentar obter mais informações de como ficou a estrutura do país e tomar uma decisão sobre o que iremos fazer.  No entanto, a turma toda esta motivada a continuar a viagem, talvez por outros caminhos, mas não mudar o destino.

O Cristiano e o Rocha que também já saíram de Cuiabá, mandaram noticias que estão em Rondonópolis e amanha seguem para Dourados MS.

Nesse domingo nossa programação é seguirmos até Foz do Iguaçu.  Serão 860 km, passando pelo norte do Paraná.

 

2º Dia - Domingo 28/02/2010

Chegamos em Foz do Iguaçu.  Foram 840 km percorridos debaixo de bastante chuva e um sol bastante forte no final da tarde. Saímos às 08 hs de São Jose do Rio Preto, passando por Presidente Prudente, Maringá e chegamos em Foz por volta das 18 horas.

A surpresa do dia foi descobrir que no Paraná o pedágio para motos tem um custo muito próximo do valor pago por um carro, o que já seria um absurdo, no entanto, o pior mesmo é pagar caro e andar por estradas simples, sem duplicação e nem telefone tem para chamar socorro.  Se o celular não pegar...

Também foi um dia marcado por vários contatos feitos pelos parentes e amigos, que tem acompanhado as noticias do terremoto no Chile e nos mandam informações.  Obrigado a todos pelas mensagens e ligações.  Nessa segunda tomaremos a decisão sobre nossa próxima etapa, no entanto o sentimento de continuar viagem é bastante forte com a turma. Talvez alteremos o trajeto, mas ainda continuamos com o pensamento no Chile como destino.

Vindo de Cuiabá, meu irmão Cristiano e o Paulo Rocha chegaram hoje em Campo Grande MS.  O Rocha teve um imprevisto em sua moto, aparentando ser um problema na carburação.  Eles pretendem consertar o problema na segunda pela manha e seguir viagem até Foz do Iguaçu para unir-se a nós e seguirmos viagem.

Nessa segunda entraremos no Paraguay e retornaremos para Foz para aguardar a chegada do pessoal de Cuiabá.

 

A foto acima ficou marcada pelo emocionante momento da nossa saída, o qual nunca iremos esquecer e com certeza será um dos pontos mais fortes dessa viagem, tendo a maioria dos amigos de Goiânia reunidos e torcendo pelo sucesso da nossa aventura, também se uniram em uma oração, pedindo a Deus que ilumine os nossos caminhos.  Aproveito para mandar um grande abraço a todos e dizer que já estamos com saudades de vocês

3º Dia - Segunda 01/03/2010

Hoje foi dia de irmos às compras.  Logo pela manha entramos no Paraguai e passamos a manha por lá.

No retorno fizemos a instalação do GPS do Jairo.  Veja na foto a cara de felicidade desse menino!!!

Na hora do almoço recebi a noticia que o problema com a moto do Rocha havia sido resolvido e eles estavam saindo de Campo Grande MS.  Após desmontar toda a moto, foi descoberto que o problema estava na boca do tanque, a qual provavelmente estava com suspiro entupido e impedia a gasolina descer para o carburador.

No final da tarde eles chegaram em Guairá PR, onde irão dormir e nessa terça pela manha se Deus quiser estarão chegando aqui por Foz.

 

Bom, hoje também foi dia de decidimos o nosso próximo destino, mediante o acontecimento do terremoto no Chile.

A decisão é seguir viagem.  Vamos fazer um ajuste no roteiro, seguindo diretamente para o norte do Chile, na região do Deserto do Atacama.  A previsão é sairmos daqui na quarta pela manha e seguirmos até Corrientes na Argentina.  Serão 640 km com a previsão de chegada no Chile na sexta-feira

 

4, 5 e 6º Dia - 03, 04 e 5/03/2010

Nesse momento estamos em Salta, norte da Argentina, a mais ou menos 400 km da fronteira com o Chile.

Passamos o dia por aqui e nesse momento estou atualizando o site dentro de um restaurante na Praça 9 de Julho e degustando um  legítimo vinho Argentino.

Bom pessoal, mas se era aventura o que estávamos procurando, então nesses dias nós já achamos.

Saindo quarta feira de Foz do Iguaçu, após 100 km encontramos uma barreira na Ruta 12 e sem previsão de liberação. Através do GPS roteamos um caminho alternativo, um desvio de 37 km, porém boa parte era sem pavimentação.  No começo foi tudo bem, mas logo a estrada foi ficando estreita e começaram a surgir os primeiros "morros" de pedras grandes e soltas.  Uma verdadeira trilha.  As duas XT's estavam em casa, mas as Vstrom com a sua suspensão dianteira dura penaram. Chegamos ao final da trilha completamente sujos de poeira e com os braços doloridos de tanto fazer força, mas muito felizes, afinal foi tudo muito divertido.

Conseguimos chegar em Corrientes depois das 23 horas, tivemos que pilotar a noite e com alguma chuva, mas as estradas Argentinas são excelentes e não existem buracos.

Pela manha na porta do hotel, tivemos a surpresa de sermos abordados por um canal local de TV, que veio fazer uma matéria com nós.  O Jairo e o Paulo Rocha foram os dois entrevistados.

Ontem percorremos 860 km e também chegamos tarde em Salta, por isso optamos em passar o dia por aqui, descansar e curtir a cidade que possui muitas opções de lazer.

Na chegada encontramos 4 colegas da Lista Vstrom, residentes em São Gabriel do Oeste MS, que também estão tentando chegar no Chile.

Nosso projeto é nesse sábado sairmos cedo com destino a São Pedro do Atacama. Serão mais de 600 km, subindo a 4.800 metros na Cordilheira dos Andes.

Pessoal, por hoje é só, estamos aqui com a presença do Jairo, Mauro, Kelly, Alcioni, Magali, Paulo Rocha e Cristiano mandando um grande abraço a todos os familiares e amigos.

7º Dia - 6/03/2010

Chegamos no Chile! Já podemos dizer que nosso sonho, nosso objetivo, nosso desejo foi realizado, cumprido e alcançado.

Na foto acima, ainda em território Argentino e a 3.500 metros acima no nível do mar, estamos contemplando uma das belezas do lugar.  Em pleno deserto, uma salina que se perde de vista o seu final.

Por falar em deserto, não há como descrever o que vimos e passamos no dia de ontem. Aliás, não acredito que alguém consiga transmitir em palavras ou imagens, é algo surreal, precisa ser visto pessoalmente para sentir o que é o Deserto do Atacama e sua imensidão de paisagens diferentes que misturam cores e formas das mais variadas possíveis.

O efeito da altitude é um assunto a parte. Dores de cabeça, náuseas, tontura, fadiga, cada um sentiu uma coisa diferente e teve gente que sentiu de tudo. Chegamos a 4.850 metros, onde o frio nos pegou, obrigando todo mundo a parar e colocar roupas apropriadas(veja foto ao lado). Boa parte do dia foi percorrida nessas condições e a fadiga e o cansaço provocado pela altitude foi o que mais incomodou.  Parece faltar ar e qualquer esforço que se faça, até um simples ato de empurrar a moto por 3 ou 4 metros já deixa você fadigado. É ao mesmo tempo uma experiência desagradável, mas compensadora por tudo aquilo que vimos até agora.

Nesse momento estamos em São Pedro do Atacama, um vilarejo no meio do deserto onde também não da para escrever sobre ele, só vendo.  Imagine uma vila toda construída com paredes de barro, sem pintura nem acabamento, tudo muito rústico.  Porém, dentro de vários locais foram montadas pousadas, bares e restaurantes, alguns com decoração bem modernas se comparado com o exterior do prédio. Água é cara e artigo de luxo. Aliás, tudo no Chile é muito caro, ao contrário da Argentina.

Hoje pela manha o frio chegou a menos de "zero" graus.

Sairemos hoje a tarde "Mão de Deus", escultura de uma mão montada em meio ao deserto, perto de Antofogasta. De lá tomaremos a decisão de voltar pelo mesmo caminho ou fazer o contorno por Santiago.  Porém a questão da falta de combustível em alguns locais do Chile devido ao terremoto esta sendo um problema.  As motos tem baixa autonomia, assim precisaremos levantar mais informações e definir o roteiro de volta.

Bom pessoal, por hoje é só.  Graças ao bom Deus todos estamos bem, as motos também estão respondendo a altura, sem problemas técnicos.  Até o momento tivemos apenas um problema na bolha da moto do Cristiano, cujo suporte quebrou, e tivemos que retira-la. Os freios são muito exigidos e em algumas vezes eles super-aquecem e é necessário dar um tempo para voltar a funcionar, porém tudo esta normal.

Um grande abraço a todos e obrigado a todos os amigos e familiares que estão acompanhando a viagem.

 

8º Dia - 7/03/2010

Hoje foi um dia de percurso curto, porém mais uma vez pudemos ficar encantados com o Deserto do Atacama, que a cada quilometro nos mostra uma novidade e surpresas com a paisagem sempre em mudança.

O que não muda é a qualidade do asfalto, que é simplesmente perfeito, nem se quer remendos existem.  Em pleno deserto a qualidade do asfalto é muito melhor que rodovias importantíssimas no Brasil, como exemplo a Dutra.

No entanto, uma coisa triste que sempre vemos por aqui, são as cruzes colocadas ao longo da estrada, sempre acompanhadas de algum objeto pertencente ao veiculo que aí se acidentará. São muitas mesmo. Apesar da excelente condição das estradas, os trechos são extremamente sinuosos e perigosos. Qualquer abuso ou falha mecânica pode resultar em um grave acidente, o qual infelizmente já presenciamos alguns.

Mas deixando esse assunto de lado, hoje saímos ao meio dia de São Pedro do Atacama e rodamos 100km até Calama.  Também em meio ao deserto, é uma cidade bastante agradável e com boa estrutura, ficando a 2.800 metros acima do nível do mar. O clima é bem ameno, as 14 horas o termômetro marcava 19 graus. A noite cai bastante.

A cidade possui shopping, cassino e bons hotéis, inclusive o qual estamos hospedados é o melhor que ficamos até agora.  Chama-se Águas do Deserto.

Mas por falar em frio, hoje as 4 da manha a galera foi conhecer os Gêisers e nos mais de 4 mil metros de altitude o deserto estava com "dois graus negativos".

A caminho de Calama pegamos rajadas de vendo que literalmente tiravam as motos da estrada.  Foi preciso diminuir a velocidade para manter um trajeto com segurança.

Ao chegarmos em Calama, vendo várias dunas de areia que circundam a cidade, não resistimos ao "espírito de trilheiros". Eu, o Cris e o Rocha colocamos as motos para subir os morros, isso com mala e tudo. Muito doido, mas divertido.

Um item interessante do Atacama é a umidade relativa do ar, que aqui fica na casa dos 12 a 14%, a menor de todo o mundo.  Chuva é raro e com o frio a pele resseca e queima com facilidade.  Cremes e protetor solar tem que ser utilizado com constância, principalmente na boca e no rosto.

Amanha iremos deixar nossas malas aqui mesmo no hotel e iremos logo pela manha descer 200 km em direção ao Oceano Pacífico, na cidade de Antofogasta.  Lá pretendemos chegar no nosso ponto mais distante da viagem, visitando a mão do deserto ou "Mão de Deus" como é conhecido o local.

No retorno precisamos trocar o óleo das motos e fazermos o reparo no suporte da "bolha" da moto do Cristiano.  Será necessário aplicar uma solda, mas nada complicado.

Voltaremos dormir aqui em Calama para no dia seguinte iniciarmos nossa volta, a qual ficou definida que será pelo mesmo caminho da vinda

Confirmamos e realmente esta faltando combustível em vários postos no Chile. Com o racionamento, em algumas regiões apenas moradores locais estão recebendo 10 litros por carro.

 

9º e 10º Dia - 8 e 9/03/2010

"Muita Aventura para Contar"

Dois dias para ficarem guardados para sempre!

Chegamos no ponto mais distante da nossa viagem.

Após 4.050km a partir de Goiânia e também de Cuiabá(Cristiano e Rocha), no dia 8 de março alcançamos o Oceano Pacífico e em seguida a "Mão do Deserto" ou "Mano de Dio" como é conhecido o monumento colocado em meio ao deserto do Atacama e que é sem duvida para os motociclistas da América do Sul, o marco ou o ponto principal a ser alcançado em viagens de motocicletas.

Não é a toa que cruzamos por vários companheiros na estrada, indo ou voltando desse local.

Ainda estava escuro quando saímos de Calama no Chile, com uma temperatura abaixo de 5 graus e a sensação térmica bem abaixo disso, principalmente se considerarmos o vento já natural do local, mais a velocidade das motos. No caminho passamos por várias minas de cobre, ouro e outros minerais, que destacam-se em meio ao deserto.  Parece um verdadeiro canteiro de obras e a quantidade de terra tirada do solo é incalculável.

A paisagem muda muito e o deserto realmente vira deserto.  Não existe nenhum tipo de verde e as montanhas são todas de terra e pedras, na cor cinza e marrom.  O céu é muito azul, até porque não chove nesse local.

A baixíssima umidade do ar, o frio, o vento e o sol que queima forte, deixam a pele vermelha e a boca e o nariz bastante machucados.

Em Antofagasta aproveitamos para consertar o suporte da bolha da moto do Cristiano e trocamos o óleo das demais.

Seguimos mais 70 km através da estrada que liga o norte ao sul do Chile e chegamos finalmente na "Mão do Deserto".  Um momento que causou muita emoção a todos.  Depois de muitas fotos fizemos uma oração agradecendo por aquele momento, pela proteção divina durante toda a viagem e por todos os familiares e amigos que rezam e torcem pelo sucesso da nossa viagem.  O casal Mauro e kelly também aproveitaram para fazer uma homenagem aos seus filhos, trazendo uma faixa com uma dedicação de carinho a eles.  Como um bom tio coruja, não pude deixar de também puxar uma pequena foto do meu afilhado Nicolas que estava na carteira.  Mas tenham certeza que lembramos de todos vocês que ficaram no Brasil.  Foi um momento muito forte de conquista e emoção, e todos, todos sem exceção, familiares, parentes e amigos foram lembrados em nossas mentes e corações, fazendo parte daquele momento mais que especial.

No final da tarde retornamos para Calama, ao todo foram 560 km percorridos no dia.

Na manha seguinte, terça feira 09 de março, iniciamos o nosso retorno, passando novamente por São Pedro do Atacama, onde fica a alfândega do Chile.  Começamos a subir as Cordilheiras em meio ao Deserto, o frio beirava os "zero graus" e a subida é muito rápida, saindo de 2.500 para 4.800 metros acima do nível do mar.  As motos com injeção eletrônica compensam bem a altitude, mas nós pessoas estamos longe de estarmos adaptados a ela.  O cansaço e a sensação de falta de ar pegaram pra valer.  Ainda na subida, bem ao lado da divisa com a Bolívia, tivemos a quebra da corrente da moto do Rocha.  Ele consertou e seguimos em frente.  Ainda faltando uns  50 km para o próximo posto, a gasolina da moto do Rocha acabou, o que é normal, porque devido ser carburada, consumiu mais combustível com o esforço da altitude.  A Maga seguiu na garupa do Jairo e eu reboquei a moto do Rocha até a fronteira.  Na aduana Argentina que fica no Passo de Jama a 4 mil metros de altitude, formava-se filas de pessoas para utilizar-se de oxigênio fornecido pela Policia Argentina.  Mas tendo apenas uma mascara, o serviço é bastante precário e toda hora via-se uma pessoa sendo carregada para a enfermaria.

Na nossa turma, já com um problema intestinal do dia anterior, a kelly esposa do Mauro também teve que fazer uso do oxigênio.

Motos abastecidas e prontos para sair, a moto do Rocha volta a ter problemas com a relação, onde o pinhão (peça que transmite a força do motor para tração da moto), saiu do eixo do cambio.  Como a Kelly não estava se sentindo bem e o conserto iria demorar(não há nenhum recurso no local), optamos por dividir a turma, onde o Jairo (que possue GPS), o Mauro e a kelly seguissem viagem.  Eu, a Maga, o Cris e o Rocha ficamos para tentar consertar a moto.

Com a ajuda de alguns camioneiros brasileiros que pararam para abastecer, conseguimos uma ruela de pressão e prendemos o pinhão no local.  Porém, ao longo do caminho a corrente caia constantemente.

Encontramos no caminho dois motociclistas vindo da Baía e paramos para conversar um pouco.

Ao iniciarmos a descida das Cordilheiras nos deparamos com um visual totalmente diferente do que foi encontrado na ida.  "Os Caracoles", como são chamadas as sinuosas curvas da estrada que fica a  4.180 metros de altitude, estavam completamente cobertas pelas nuvens.

O frio chegava a zero graus e a descida foi feita de forma muito lenta, pois na verdade não se via absolutamente nada. Uma aventura e tanto!

No final da descida optamos em parar e fazer um novo conserto na corrente da moto do Rocha, a qual estava saindo a todo momento e com a estrada muito sinuosa, estava perigoso prosseguir daquela forma.

Já passava das 19 horas, nesse mesmo momento o Jairo, o Mauro e a kelly já chegavam em Salta e tudo já estava bem com a kelly, que aliás hoje já comeu como um "leão" (risos).

Quanto a nós, iniciamos o conserto da corrente e com o escurecer as coisas foram ficando mais complicadas. O frio também chegou e levamos mais de 2 horas para resolver o problema. Faltavam 180km para chegarmos em Salta e ainda na estrada pegamos chuva, frio, neblina e muito movimento de caminhões.  Mas pilotando com bastante cuidado chegamos todos bem por volta das 23:30hs.

Hoje optamos em ficar novamente em Salta, onde aproveitaremos o dia para descansar e efetuar o reparo definitivo na moto do Rocha.

Nossa previsão é sairmos nessa quinta pela manha para Corrientes e no dia seguinte se Deus quiser chegarmos no Brasil por Foz do Iguaçu.

 

Bom pessoal, por aqui esta tudo bem, foram dois dias de fortes emoções e muita aventura.  Todas as dificuldades já eram previstas, por isso viajamos equipados e tudo resolvido dentro da normalidade. Aliás, quando se viaja de moto, imprevistos acontecem e são tratados como normais, desde que você esteja preparado para eles.  Afinal, se não acontecessem, o que teríamos para contar, não é? (risos)

Não poderia deixar de registrar o comportamento do nosso amigo Paulo Rocha.  Mesmo com a altitude e seus impactos no organismo, principalmente a fadiga e o mau estar que ela provoca, o mesmo sempre manteve-se tranqüilo com os problemas ocorridos em sua moto e nunca desistiu ou desestimulou-se em consertá-los. Para mim, uma grande lição.

 

 

12º e 13º Dia - 11 e 12/03/2010

 

Estamos de volta ao território Brasileiro, na cidade de Foz do Iguaçu, onde chegamos ontem ao final da tarde.

Foram dois dias de muita estrada, sendo que rodamos 850km  no dia 11 entre Susques a Corrientes na Argentina.  Vamos dizer que é a parte mais "chata" da viagem e a mais cansativa.  Praticamente é uma reta só.  Os pneus chegam a ficar literalmente quadrados por gastarem somente no meio.  Temos que abrir um parenteses para o pneu modelo Anake 2 da Michelan, por ter dois compostos diferentes, ele se comportou muito bem nesse tipo de trecho e o desgaste foi mínimo. Não existe praticamente nada no meio do caminho, apenas um municipio e algumas vilas. Porém há  muitos animais soltos na estrada e o cuidado tem que ser redobrado. Nosso almoço foi feito em um "Comedor"(restaurante como é chamado na Argentina) que praticamente nem passariamos na frente se fosse no Brasil, a coisa era muito feia.  Mas no fim tudo deu certo e a comida até que estava boa.

Ontem fizemos Corrientes a Foz, foram mais 650 km.  Aqui muitas curvas em uma região muito bonita, rodeada de arvores e alguns lagos.

Hoje ficaremos em Foz. A partir de amanha o Jairo e o Mauro retornam para Goiânia.  Eu, minha esposa, o Cris e o Rocha seguiremos para o Mato Grosso, que ainda é muito chão!

 

Pessoal, estamos todos bem e mandamos um grande abraço a todos.

 

15º Dia - 14/03/2010

 

Bom pessoal, para a maioria dos integrantes dessa viagem é hora de voltar para casa.

Ontem 14 de março o Jairo e o Mauro iniciaram o seu retorno para Goiânia, onde hoje confirmei a chegada deles em casa. A bateria da moto do Mauro arriou e foi preciso trocá-la em São Jose do Rio Preto.  Mas nada que complicasse o retorno.

Eu e a Maga iremos acompanhar o Cristiano e o Rocha para Cuiabá MT, onde iremos ficar alguns dias com a nosso família.  Serão ainda 1.400 km de estrada e depois mais 900 km até Goiânia.

Assim, hoje estamos terminando o relato dessa viagem que reuniu 07 pessoas em 05 motos, que foram atrás de um velho objetivo, que era chegar até o Chile.

Uma viagem que ira ficar guardada para sempre na memória.

Um grande abraço e obrigado a todos que acompanharam e torceram pelo sucesso da nossa viagem.  Valeu.

 

Alcioni Marcio Fritz

©Trilheirosonline.com

2003 a 2019 Todos os direitos reservados.

Estamos nas Redes Sociais
  • Facebook Social Icon
  • YouTube Social  Icon