Preparativos - 27/02/2012

 

Como eu sempre digo, uma viagem de moto começa a muitos meses antes da viagem em si.

Particularmente, um mês antes já gosto de ir colocando tudo que pretendo levar sobre uma cama.  Mas não é tudo de uma vez.  Cada dia lembro de algo e coloco lá.  Na ultima semana reclassifico o que realmente preciso levar.  Nem demais nem de menos.  Viagem de moto tem que se levar o que é essencial mesmo, e principalmente tentar não esquecer de nada que seja realmente importante.

 

Temos acompanhado as noticias das chuvas que estão castigando o estado do Acre e algumas cidades que ficam em território Peruano. Algumas estradas estiveram fechadas por alguns dias, mas agora parecem ter sido liberadas.

Também recebi informações que a BR364 que corta Rondônia esta bastante danificada após Vilhena, com muitos buracos e, existem comentários que ela também estará fechada por alguns dias para manutenção.  Mas não temos nenhuma informação concreta sobre isso.  O cuidado terá que ser redobrado.

 

Mas nada disso tira a nossa alegria de estarmos a alguns dias de "pegar estrada".

Confirmado a minha saída aqui de Curitiba dia 02/03/12, e na mesma data o Rodrigo e o Jairo estarão saindo de Goiânia, também em direção a Cuiabá, para nos encontramos com o meu irmão Cristiano e o Paulo Rocha.

 

Se Deus quiser no sábado a noite ou mais tardar domingo logo pela manha estaremos todos em Cuiabá, onde a saída esta confirmada para a madrugada do dia 05/03.

Reunidos em Cuiabá - 04/03/2012

 

Conforme combinado, no domingo nos encontramos em Cuiabá. No sábado chegaram o Rodrigo e o Jairo de Goiânia e no domingo logo pela manha chegou eu e a Maga vindos de Curitiba.

Aproveitamos o dia para deixar as motos prontas para a viagem.  O calor estava como de costume, ja chegando perto dos 40 graus, aí a solução foi cairmos na piscina e curtimos um bom churrasco na casa do meu irmão Cristiano, na companhia dos familiares.

1º Dia-Cuiaba a Cacoal - 930km - 05/03/2012

 

Finalmente chegou o dia. Saímos logo pela manha, passava um pouco das 6h e o sol já estava despontando no horizonte. O calor na parte da manha estava bastante forte e na parte da tarde avistávamos pontos de chuva em vários locais, mas acabamos não pegando nenhuma.  O asfalto ate a divisa com Rondônia estava excelente e a viagem rendeu bem.  Porem ao passarmos por Vilhena, as condições pioraram muito.  Em alguns trechos tem que engatar a primeira macha para passar as valetas nas estradas.  Mesmo assim a viagem foi bastante tranquila, sem nenhum problema mecânico com as motos.  A minha que aparentemente esta tendo um consumo de gasolina um pouco mais elevado.  Creio que a regulagem feita na revisão em Curitiba não foi a mais acertada.

Chegamos em Cacoal as 17:30h, já abastecemos as motos e seguimos para o hotel, onde pernoitaremos.

Para o segundo dia temos também um grande trecho para percorrer.  Nossa intenção é chegarmos em Rio Branco do Acre ainda na terça.  Será bem puxado, uma vez que as estradas estão bem ruins dentro do estado de Rondônia e o trajeto será em torno de 980km. Por isso o combinado será sairmos logo as 5 da manha.

Vamos que vamos, rumo ao Peru.

 

2, 3 e 4º Dia-Cacoal a Rio Branco- 980km - 6, 7 e 8/03/2012

 

Em uma viagem de motocicleta, por mais que saibamos dos riscos e nos protejamos contras eles, nunca, jamais saimos pensando que algo possa acontecer.

Dessa vez infelizmente ocorreu um acidente com um dos integrantes, o nosso amigo Rodrigo Bastos, o qual teve sua viagem interrompida no dia 6 de março.

Faltavam apenas 10 km para chegarmos em Ariquemes, quando em uma ultrapassagem, um dos veículos ultrapassados também saiu para a esquerda, sem dar sinal, atingindo a lateral da moto do Rodrigo.  Apesar de toda pericia do Rodrigo, dele ter controlado a moto até os últimos instantes antes da queda, infelizmente não havia acostamento e ele caiu em uma vala na beira da estrada, de forma bastante forte.  Com o impacto a moto e ele deram duas voltas no ar e caíram violentamente no chão.

Graças a Deus ele estava bem equipado com vários itens de proteção e o resultado foram 3 costelas quebradas e muita dor.  A moto ficou também bastante danificada. A pessoa que provocou o acidente não omitiu-se, parou e prestou socorro, assumindo a culpa pelo acidente. Porém o estrago já estava feito e infelizmente o Rodrigo não mais ira prosseguir viagem. Nem ele e nem a Dani, sua esposa, que iria nos aguardar em Rio Branco AC. Foram dois dias bastante tensos, mas agora o Rodrigo já esta voltando para a sua casa, onde poderá se recuperar.

Não podemos deixar de registrar a rapidez e eficiência do Corpo de Bombeiro de Ariquemes, que veio muito rápido até o local.

E agora? O que fazer? Confesso que não tínhamos idéia sobre que rumo tomaríamos.  Mas após conversamos com o próprio Rodrigo, Familiares e Amigos, decidimos retomarmos a viagem.  Porém não manteremos o roteiro original e os prazos também serão alterados.  Ainda estamos replanejando e pensando direito o que faremos, mas a principio a idéia é mantermos Machu Picchu, Nazca, Ica e Lima.  Mas nada ainda é certo. Como vocês podem imaginar, todos os demais integrantes estão bastante chateados com esse acontecimento, mas vamos em frente.

 

Hoje, saímos por volta das 10 hs de Ariquemes, percorrendo mais de 700 km ate Rio Branco AC.  Muita chuva, os buracos continuam e o movimento de caminhões é grande. O cuidado esta mais que redobrado.  Mas o nosso querido "Papai do Céu" nos recompensou com uma final de tarde bastante agradável, no momento em que passávamos a balsa do Rio Madeira.  Uma mistura de chuva e sol fez com que o passeio fosse bastante divertido e diferente.

Chegamos na capital do Acre por voltas das 19:30h, onde fomos para um hotel, jantamos e vamos descansar um pouco.  Amanha antes de sair tenho que levar a minha moto na concessionária para tentar reparar um vazamento de óleo no hidráulico da embreagem.  Em seguida começaremos a decida rumo ao Peru.

Ao lado duas imagens do dia, no momento que entramos no estado do Acre. Logo abaixo Alcioni, Cristiano, Jairo e Rocha.  Ao lado a Magali.

5º Dia - Rio Branco a Puerto Maldonado - 620km - 09/03/12

 

A primeira tarefa do dia foi levar a minha moto na Suzuki para corrigir um vazamento no sistema hidráulico da embreagem e também repor a água do radiador.  Não detectei ainda porque a água estava pouca, se foi porque não viram isso na revisão ou se o radiador esta mesmo furado.  Vou ter que acompanhar.

Saímos então às 10:30h, pilotando ate às 18:50h quando chegamos a Puerto Maldonado no Peru.  Foram varias paradas para abastecimento, porque não queríamos correr o risco de ficar sem combustível.  Também ficamos muito tempo parados na fronteira, uma vez que o tramite para sair do Brasil e entrar no Peru é bastante demorado e um pouco complicado.  Também tem muito papel para preencher.

Na famosa rodovia do pacifico, o lado brasileiro esta uma catástrofe. Muito buraco e pouca sinalização.  Do lado Peruano é um tapete, não existem buracos e tem muita sinalização, até exagerada eu diria.  Quebra molas então, chega a ser piada a quantidade.  Vocês não tem idéia, é muito mesmo, inclusive em lugares que você não entende porque eles estão lá.  As placas são com menos de 100 metros, aí você imagina o desespero para parar a moto, tem que ficar esperto.

O povo Peruano é muito acolhedor, e até o momento muito simpáticos. A língua não tem sido problema.  Pegamos um bom hotel indicado pela nossa amiga Maria PI que recentemente esteve na região.

Ao chegarmos em Puerto Maldonado ficamos um pouco assustados com o movimento de policiais na rua.  Logo soubemos o motivo.  Os "mineiros" que trabalham na região estão revoltos e a situação estava meio tensa.

Foi muito engraçado o primeiro contato com o transito local.  Uma loucura organizada.  Já viram aqueles filmes na Net mostrando o transito Indiano? É igualzinho.  Tem um monte de motonetas, é muito engraçado ver todo mundo buzinando.

Amanha é dia de subirmos para Cuzco, encarando as Cordilheiras Peruanas, onde o frio deve chegar próximo a "Zero" e a altitude por volta dos 4.800 metros ao longo do caminho.  Mas antes temos que passar pela Amazônia Peruana, onde o calor é grande.  O segredo vai ser organizar a roupa adequada para todas essas ocasiões eheheh.

Por falar em calor, hoje o bicho pegou.  Durante a passagem pela fronteira o calor passava dos 40 graus e até os Peruanos estavam estranhando. Imagina esse calor unido à roupa que temos que usar para pilotar as motos!!!!

Pessoal, por hoje é só.  Amanha se Deus quiser damos noticias diretamente de Cuzcu.

6º e 7º Dia - Puerto Maldonado a Cusco - 520km - 10/03/12

 

Quando você olha a distancia a ser percorrida, não consegue entender o porque levar um dia inteiro para fazê-las. Aliás, nossa saída foi um pouco tardia, e ganha um doce quem adivinhar o que aconteceu. Ate agora não conseguimos entender, mas a figura do Paulo Rocha (Urso Polimério), conseguiu se perder com apenas uma quadra de deslocamento, aí já viu, foram mais de uma hora para encontra-lo novamente.

Os primeiro 200km também não dizem muita coisa, afinal é um trajeto normal, apenas o numero excessivo de quebra molas quebra a rotina. Daí pra frente a coisa começa a mudar de figura.  Primeiramente a paisagem que é deslumbrante e só aí você já leva tempo parando para apreciar.  Mas também tem os imprevistos.  No caso foram os desmoronamentos que estão acontecendo em toda extensão do trajeto que corta as Cordilheiras.  Recebemos inclusive a informação que havia dois dias que a estrada estava fechada.  Um dos lugares foi liberado exatamente quando estávamos passando. Tivemos que encarar trechos de lama e pedra solta, mas tudo tranquilo.

Mas depois veio as curvas.  Não tem como descrever, só vendo de perto.  A velocidade não passa dos 35 km por hora.  Subimos a 4.750 metros, com a temperatura variando entre 1 a 3 graus.  Algumas vezes parávamos para esquentar a mãos no motor da moto.

Foram varias subidas e descidas ate chegarmos em Cusco.  Interessante que até as 14 hs a temperatura estava na casa dos 35 graus.

Os abastecimentos foram normais, feitos em postos combustível.  Apenas um foi feito em uma vila, onde a gasolina é vendida em pequenos galões, sendo colocados na moto com o auxilio de um funil.

A 90 km de Cusco, passando por uma vila, não sei como, mais uma vez nos desencontramos.  O Jairo e o Paulo vieram na frente e ainda chegaram durante o dia em Cusco.  Eu e o Cristiano acabamos ficando para traz e tivemos que encarar uma parte das cordilheiras à noite e chovendo. Foi muito complicado encarar aquelas curvas molhadas e eu ainda engarupado.

Chegando em Cusco, a chuva aumentou, o transito pesado e pra ajudar não achávamos o hotel programado.  Por sorte havia outras opções agendadas no GPS e logo achamos outro hotel.  Porem a maioria dos hotéis não tem estacionamento, isso é feito a parte e aí já viu o transtorno.

A chegada em Cusco foi quase que traumática.  Estávamos muito cansados, sem ter almoçado e todo aquele tumulto de transito com chuva, mais o problema dos efeitos da altitude (dor de cabeça, fadiga, respiração curta, tontura etc), nos fez pensar até onde vale a pena essas aventuras.

Mas hoje, mas acostumados a altitude e descansados, pudemos sair para curtir a cidade e dizer que sim, vale a pena.  Amanha é dia de descermos para Machu Picchu.  Já compramos os bilhetes do trem e o dia começa já as 4 da manha.

É isso pessoal, um abraço a todos.

8º Dia - Cusco a Machu Picchu - 11/03/12

 

Hoje foi dia de deixar as motos na garagem e pegar o trem em direção ao nosso ponto alto da viagem, Machu Picchu.

A aventura já começou as 4:30h da manha, quando uma pequena Van, mas pequena mesmo, veio nos pegar no hotel. O carro não era nada novo, amortecedores um dia já teve e batia tudo. O motorista era um senhor e praticamente não falava, porém dirigia de uma forma "bastante emocionante". Acreditamos que ele recebeu a incumbência de fazer o deslocamento em pouco tempo e isso exigiu dele "toda pericia" de percorrer os muitos quilômetros até a estação de Ollantaytambo em apenas 1 hora e meia. Basta dizer que chegamos faltando apenas 10 minutos para o trem partir. Ficamos todos muito apreensivos com a doideira da viagem mas graças a Deus chegamos todos bem.

Já dentro do trem começamos o deslocamento de 1 hora e meia ate o Vale Sagrado, porta de Machu PIcchu. A viagem é inesquecível, o trem bastante confortável e a paisagem é de tirar o fôlego. Basta dizer que avistamos pelo menos umas 6 geleiras no alto das montanhas que estavam acima dos 5 mil metros de altitude. Foram inúmeras fotos.

Ao chegar fizemos um lanche rápido e logo pegamos um micro ônibus que nos levou até a cidade sagrada de Machu Picchu.  Curiosamente todos os ônibus são fabricados no Brasil e a subida é bastante íngreme, com despenhadeiros por todo lado.

Dai pra frente "muita perna pra que te quero".  Foram 3 horas e meia subindo e descendo escadas e morros para conhecer o local e tirar muitas, mas muitas fotos mesmo.  Em breve, quando tiver acesso mais rápido a internet, vou posta-las por aqui.

O que falar desse lugar? Não há como descrever. Em resumo é mágico.  Para todos os lados que você se volta existe uma história a ser registrada.  O guia que nos acompanhou com exclusividade era bastante experiente e nos passou muitas informações e detalhes da historia do lugar.

Fomos abençoados e o tempo estava perfeito.  Não choveu e o sol brilhou todo o tempo, exigindo passarmos muito protetor solar.

A altitude e o ar mais rarefeito deixa todo mundo "com a língua pra fora" e muito cansados, porém vale todo esforço para conhecer esse lugar.

Eu diria que todos deveriam pelo menos uma vez na vida visitar Machu Picchu e descobrir um pouco da historia da humanidade e ver uma das paisagens mais belas e sensacionais que existem nesse planeta.

Para nós que estamos fazendo isso de moto, o prazer é em dobro e com certeza ficara marcado para sempre.

É isso pessoal, amanha é dia de pegar estrada novamente. Conforme já havíamos programado, minha esposa Maga ira retornar para o Brasil de avião e nós continuaremos nossa viagem, agora com 4 integrantes.  Alcioni, Cristiano, Paulo Rocha e Jairo.

 

9º Dia - Cusco a Puerto Maldonado - 520 km - 12/03/12

 

Viagem de moto nem sempre acontece da forma como esta no papel e dessa vez não foi diferente. Tivemos que abortar nosso projeto inicial de seguirmos para Nazca, Lima e Puno. Já na noite do dia 11 após chegarmos de Machu Picchu, conhecemos um casal de motociclistas Argentinos que estavam chegando de Nazca, os quais nos trouxeram a informação que a estrada estava fechada devido aos desmoronamentos e que levaram nada menos que 4 dias para percorrer apenas 600 km.  Saímos em busca de confirmação de como estavam as estradas e infelizmente as noticias se confirmaram, o que nos levou a alterar nosso projeto inicial, afinal nossos dias de férias já estavam terminando e não tínhamos mais dias suficientes dentro das férias, para fazer todo o percurso.

Se ficamos tristes?  De jeito nenhum.  Graças ao bom Deus nosso retorno foi agraciado com dos mais belos passeios já feitos.  Apesar de estarmos retornando pelo mesmo caminho, tivemos a oportunidade de vermos paisagens que não havíamos visto no percurso de ida.  O tempo melhorou e pudemos admirar e registrar várias geleiras que ficavam às margens da estrada, que também é acompanhada todo o tempo de um rio formado com as águas das montanhas.

O ponto alto foi o momento em que atingimos 4.750 metros de altura, à 0º de temperatura, e pudemos finalmente conhecer a "Neve".

E o destino quis que esse raro momento fosse vivenciado simultaneamente por todos os colegas ao mesmo tempo. A felicidade foi tanta que até esquecemos do perigo que é a pista molhada e congelada. Momento impar da viagem e que ficara marcado para sempre.

Em seguida voltou a chover e em um dos abastecimento improvisados em uma das Vilas, tivemos que faze-lo sob a proteção dos guarda chuvas.

Apesar da beleza da rodovia, em vários pontos tivemos que aguardar a limpeza da pista ou então pegarmos desvios devido ao grande numero de desmoronamentos, lá chamados de "derrubes". No vídeo abaixo você assiste a alguns que registramos.

Nessa rodovia também encontramos muitos pontos onde o asfalto é rebaixado e coberto por concreto.  Nesses pontos escorrem as águas que descem das montanhas.  Parece uma espécie de valeta concretada. É muito comum motociclistas relatarem quedas de moto nesses lugares. Pelo que vimos isso pode acontecer devido a uma espécie de limbo que forma no concreto, deixando-o liso.  Outro ponto é a quantidade de água que passa por essas "valetas", algumas parecem até um rio cruzando pela pista.

No começo da noite chegamos a Puerto Maldonado, onde pernoitamos no mesmo hotel que ficamos hospedados na ida.

Finalmente então pudemos fazer uma refeição, já que na estrada não haviam boas opções para isso.

10º Dia - Puerto Maldonado a Rio Branco AC- 620 km - 13/03/12

 

Mais emoções nos aguardavam. Vocês devem se lembrar dos comentários feitos  quando durante a ida chegamos a Puerto Maldonado, primeira cidade do Peru após a fronteira com o Brasil, onde fomos surpreendidos por um movimento "estranho" dos Mineiros, que protestavam por melhores condições de trabalho.

Ao amanhecer do dia 13, logo após o café da manha no hotel, já tirávamos as motos para fora da garagem quando formos novamente surpreendidos pelo movimentos dos Mineiros, só que dessa vez a cidade simplesmente estava "Sitiada".  Todo o comercio estava fechado, poucas pessoas saiam às ruas e ninguém conseguia sair ou entrar na cidade.

A Policia por sua vez usava até helicópteros para reprimir o movimento, atirando do alto com balas de borracha contra os rebelados. No chão havia um grupamento de policiais que tentava liberar as ruas, mas os mineiros ateavam fogo em madeira e pneus, bem como jogavam pedras, paus e lixo pelas ruas, impedindo o transito.  Segundo relatos de sites de noticias, infelizmente houve até mortes durante os confrontos.

Tivemos que aguardar a liberação das ruas para poder sair da cidade.  Como estávamos sem combustível a preocupação era ainda maior, porque não haviam postos abertos na cidade.  Graças a Deus tudo acabou bem e encontramos um posto aberto logo após a travessia da ponte que separava a cidade do confronto.

Com isso foi uma grande alegria chegar a fronteira com Brasil, onde pudemos finalmente curtir a alegria de estar de volta a seu país natal. Mas até Rio Branco ainda tinha muita estrada, acompanhada de muito calor. Em uma das paradas o jeito foi pedir para os frentistas jogarem água em nós, porque a temperatura já passava dos 40 graus. Chegamos em Rio Branco no final da tarde, pegamos um hotel e à noite aproveitamos para tomarmos uma bem gelada e comemorarmos mais trajeto.

11º Dia - Rio Branco AC - 14/03/12

 

Mais imprevistos.  O radiador da minha moto que estava furado desde o inicio da viagem, resolveu vazar de vez.  Por sorte isso aconteceu na porta do hotel na chegada em Rio Branco. O furo acabou aguentando todo o percurso dentro do território Peruano.  A moto do Paulo Rocha também apresentou um vazamento nos retentores das bengalas.  Decidimos então passar o dia em Rio Branco, onde mais uma vez o pessoal da Novesa Motos-Concessionária Suzuki nos atendeu com toda presteza, contornando os problemas de forma que conseguíssemos continuar a viagem de retorno. Vale registrar que as concessionárias locais da Honda não deram atendimento a moto do Rocha (Varadeiro), alegando que por não terem peças nada podiam fazer para contonar o problema. O pessoal da Suzuki é que acabou arrumando também a moto dele. Aos que passarem por Rio Branco e precisarem de apoio, com certeza o pessoal da Noveza Motos estará a disposição. Obrigado ao pessoal da oficina que foi super gente boa e aos clientes que inclusive permitiram que as nossas motos fossem atendidas por primeiro.

12º Dia - Rio Branco a Ariquemes RO - 720 km - 15/03/12

 

Saímos às 06:30 da manha debaixo de muita chuva, porem tomando todo cuidado possível devido aos muitos buracos. Entrando no estado de Rondônia a situação das estradas tornam-se uma verdadeira calamidade publica.  Todo cuidado é pouco porque a rodovia é muito movimentada e os carros e caminhões atravessam o tempo todo na sua frente desviando das "crateras" existentes na estrada.

A travessia da balsa é um passeio a parte.  É quase uma hora para fazer a travessia e o Rio Madeira sem duvida é um dos rios mais bonitos desse país.

Passando por Porto Velho ainda enfrentamos mais um desmoronamento, que fechou a saída da cidade.  O transito foi todo desviado para dentro de um bairro onde centenas de caminhões se amontoavam pelas ruas estreitas.  Por intermédio de um motociclista da cidade, ele nos passou umas dicas e conseguimos desviar um pouco do transito e saímos na rodovia principal.  Por sorte a chuva deu uma trégua e chegamos em Ariquemes RO no final da tarde.

Para nossa surpresa algumas pessoas da cidade nos reconheceram, devido ao acidente ocorrido na ida com o nosso colega Rodrigo ter sido matéria em um canal de TV local. Essas pessoas vinham nos procurar e perguntar sobre o estado de saúde dele. Aproveitamos também para ir até a concessionária onde a moto acidentada ficou guardada, para conferir se o processo de vistoria da seguradora já havia ocorrido e se havia alguma coisa mais que poderíamos agilizar.

à noite jantamos e fomos dormir porque o dia seguinte seria longo.

13º Dia - Ariquemes a Cáceres MT - 1.130 km - 16/03/12

 

A princípio nossa intenção é pernoitarmos em Pontes e Lacerda MT, que daria em torno de 930km. Porém o dia rendeu bem.

Depois de atravessarmos a região de Cacoal RO, onde as estradas literalmente não existem mais, chegamos em Vilhena onde paramos para almoçar e tirar uma "soneca" improvisada nos bancos de um restaurante de posto de combustível à beira da estrada.

Entrando no Mato Grosso as estradas melhoraram muito, com asfalto novo e apesar da chuva voltar a cair, conseguimos fazer a viagem render, chegando em Pontes e Lacerda ainda de dia, às 17:00h.

Depois de uma conversa rápida enquanto abastecíamos, resolvemos seguir viagem e pilotar mais 200km até Cáceres MT. A ideia era boa, porque ficaria apenas 200km para o dia seguinte. O problema foi que ao escurecer caiu uma chuva daquelas! Aí o jeito foi fazer uma tocada bem lenta até a chuva passar.

Chegando em Cáceres estando realmente bem cansados. O dia tinha sido bastante longo e a quilometragem percorrida foi bem acima da média que estávamos fazendo em dias anteriores. Mas viagem de motocicleta é assim mesmo, temos que improvisar e adaptar-se conforme o tempo, as estradas e outras condições que aparecem.

Na chegada fomos direto para o centro da cidade onde existem diversos restaurantes muito bons. Aproveitamos para comer um delicioso peixe, afinal Cáceres fica nas margens do Rio Paraguai. Também não deixamos de degustar uma picanha na chapa acompanhada de uma "Original" bem gelada.

"Barriga cheia", hora de irmos procurar um hotel e descansarmos porque o sono pegou.

.

14º Dia - Cáceres à Cuiabá MT- 200 km - 17/03/12

 

A distancia era tão pequena que nos demos o luxo de dormirmos até mais tarde, saindo de Cáceres às 09:30h em direção à Cuiabá.  Aproveitamos para fazer uma viagem bem tranquila, curtindo os últimos quilômetros daquela aventura que durara 14 dias ao todo, onde muitos bons momentos foram vividos ao lado da minha esposa Magali, do meu irmão Cristiano e dos companheiros Paulo Rocha, Jairo, Rodrigo e sua esposa Dani.

Muitos imprevistos também aconteceram, alguns mais graves como o acidente com o colega Rodrigo, que nos deixou muito abalados e preocupados com a sua recuperação.  Mas graças ao bom Deus o susto maior havia passado, recebendo a noticia que eles estava bem. Em Goiânia onde reside, já havia passado por uma bateria de exames onde inclusive descobriram que ele havia quebrado 5 e não 3 costelas conforme haviam constatados nos exames feitos no dia do ocorrido. Agora era aguardar a plena recuperação para se Deus quiser muito em breve poder voltar a curtir o vento no rosto em uma motocicleta pelas estradas "desse mundão afora".

 

Vencidos os 200km, por volta das 12:30h chegamos finalmente na quente Cuiabá, onde os termômetros já estavam lá nas alturas.

Toda viagem de motocicleta é emocionante, a saída é sempre rodeada de muita ansiedade com aquele frio na barriga, mas a chegada é sem duvida um dos pontos altos, principalmente quando temos uma família e amigos tão unidos e que nos apoiam em nossos sonhos e aventuras. Ao chegarmos na casa do meu irmão Cristiano, os familiares e amigos lá estavam nos esperando com a churrasqueira acessa, carne assando e com a cerveja gelada.

Vieram todos à porta nos receber, abraçar e parabenizar pela viagem.  Foi realmente muito emocionante e gratificante.

Dai para frente foi só festa, muita conversa, muitas histórias pra contar e muitos bons momentos para relembrar.

É isso pessoal, aqui acaba mais uma viagem feita com esse maravilhoso grupo. Se Deus quiser muitas outras virão e ele há de permitir que às façamos novamente juntos e protegidos sobre suas bênçãos.

Um abraço. 

Alcioni Marcio Fritz  

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