Pneus Mitas E7+

Confira a experiência que tive utilizando o Pneu Europeu Mitas E7+

Em primeiro lugar é importante esclarecer que não sou um piloto profissional e nem represento a marca, empresas ou mídias especializadas no assunto, bem como entenda as condições em que os pneus foram utilizados.

Outro ponto importante, não se trata de um teste, mas sim das impressões particulares que obtive com a utilização dos mesmos e feitos sob condições normais de uso em rodovias pavimentadas e não pavimentadas. 

Motocicleta: BMW GSA 1.200 2018

Modelo de pneu utilizado: Mitas E7+ ou Plus

Medidas: Dianteiro: 120/70-19 e Traseiro 170/60-17

Condições de uso: Em viagem, sem garupa, com os três baús de bagagens cheios, adicionando um peso extra de aproximadamente 30 quilos (incluídas ferramentas) além do piloto.

Percursos feitos em 90% de rodovias pavimentadas e 10% em rodovias não pavimentadas, dentro do Brasil nas regiões Centro Oeste, Sudeste e Sul. 

Percursos

No Centro Oeste foi utilizado em rodovias pavimentadas sob calor de até 33 graus, sem chuvas, rodovias na maioria com muitas retas e alguns buracos e muitos remendos.

No Sudeste sob menor calor, sem chuvas e rodovias pavimentadas com poucas curvas e maior incidência de retas.

No Sul onde teve 60% de utilização, foi feito sob temperaturas amenas à muito frio (2 graus), rodovias pavimentadas com muitas curvas em regiões de serras, um pouco de chuva e ventos fortes e estradas não pavimentadas compostas por cascalho, britas, buracos e pedras pontudas.

 

Impressões

Estética:

Na Maxi ou Big Trail casou perfeitamente com a estética da moto, inclusive chamando a atenção de outros motociclistas devido principalmente a largura dos gomos de borracha. Passa a impressão de robustez e que a moto está preparada para qualquer terreno.

Barulho/Ressonância:

É alto entre as faixas de velocidade de 100 a 120km/h. Antes e após disso ele diminui bem o barulho.  No meu caso utilizo um capacete que tem um bom nível de isolamento acústico, assim não tive problemas com relação a essa característica. Apenas se rodasse com a viseira aberta, ai o barulho era muito alto nessa faixa de velocidade. Se você possui um capacete com baixo isolamento acústico poderá se incomodar com o barulho, principalmente em uma viagem longa, tendo "talvez" que usar algum recurso nos ouvidos para diminuir o ruído. Isso é claro, se for um incomodo para você.

Comportamento

Aqui precisaremos abrir alguns "parênteses na conversa" e por favor leia com atenção para não tomar decisões ou impressões equivocadas.

O Mitas E7+ ou Plus é diferente do Pneu Mitas E7, o qual possui outro desenho e outro comportamento.

É um ótimo pneu que me causou excelentes impressões e sem sombra de dúvida voltarei a utiliza-lo quando as fronteiras estiverem novamente abertas e eu possa voltar com o projeto de percorrer a "Carretera Austral" no Chile, a qual ainda possui longos trechos de rípio (rodovia não pavimentada).

Esse pneu se mostrou extremamente versátil e engana-se quem acha que ele não faz curvas. Percorri vários trechos de serras, sendo que em algumas curvas usou até a última fileira de gomos laterais do pneu traseiro e em nenhum momento tive algum tipo de susto. Bem da verdade, em nenhum momento senti a moto perder a aderência. Se a pista estiver molhada ele também tem um bom despenho, mas você precisara obedecer aos limites da via. Fazer curvas no molhado com esse pneu tentando buscar o mesmo nível de performance que um pneu street é no mínimo falta de bom senso. Ele não foi criado para isso.

Nos momentos onde foi necessário impor uma maior velocidade para ultrapassar rapidamente outros veículos, o fiz com muita segurança pois o pneu agarrou firme no asfalto e não demonstrou instabilidade. Não se deve fazer, mas mesmo tirando as duas mãos do guidão a moto manteve o comportamento estável. Vale lembrar que aqui influencia muito a moto estar com as rodas perfeitamente balanceadas e em perfeito estado.

Falando ainda sobre o uso em asfalto com pista molhada, o trajeto foi entre Cambara do Sul, Gramado e Bento Gonçalves, todas cidades no estado do Rio Grande do Sul. É um trecho com muitas serras e curvas, ventava muito nos primeiros 100km, a ponto de algumas vezes a moto rodar inclinada para o lado. Nesse dia o pneu também não decepcionou, podendo fazer o trajeto sem sustos. Mas fica o registro que a pilotagem foi feita com cautela, sem abusar da velocidade ou fazer curvas como se estive com um pneu mais apropriado para isso.

Se quiser traçar um paralelo de exemplo, o colega que viajou comigo pilotava uma Yamaha ST1200 equipada com um par de pneus Metzeler Next. O comportamento desse pneu nesse tipo de situação é superior e você pode impor mais inclinação nas curvas quando a pista estiver molhada.

"Tudo são flores"? Não!

Ainda sobre asfalto, notei um comportamento ruim quando trafegando por rodovias onde a estrada estava com muitos remendos. Aqueles que são feitos apenas jogando piche e pedra por cima do buraco. Não estou falando que isso é uma característica do pneu, mas na minha moto a mesma apresentava uma "falta de tracionamento" da roda traseira, meio que "pulando" quando a moto passava sobre essas imperfeições. Os gomos mais espaçados de borracha parecem não "casar" bem com esses remendos e deixa a pilotagem estranha e incomoda. Mas não tive riscos de segurança com relação a isso, uma vez que não abuso de velocidade. Fiquei observando o painel para ver se o sinal de controle de tração estava acendendo, mas em nenhum momento isso aconteceu. O que me leva a entender que é algo muito sutil, porem acontece.

Falando em conforto, como disse acima ele é um pneu versátil para todo tipo de terreno, mas devido a característica de construção ele é barulhento sim. Na rodagem em baixíssima velocidade por superfície plana (ex: estacionamentos de garagem) os gomos largos de borracha transmitem uma pequena "vibração" no guidão. Mas não se assuste, se nunca sentiu isso é porque nunca pilotou uma moto de Enduro ou Motocross onde todo pneu lameiro tem essa característica. Mas após os 35 a 40 km/h você não sente mais esse "desconforto" e o rodar volta a fica suave. É somente em baixíssima velocidade quando a moto inicia o deslocamento.

Nas rodovias de terra ou não pavimentadas ele também teve um ótimo comportamento e se mostrou muito resistente. Nas estradas de chão pude experimentar ele em diversos tipos de terrenos, desde aqueles onde só tem terra, cascalho e poeira, passando por estradas com britas soltas (pequenas pedras de pedreira) até estradas onde não passam carros porque só tem buracos e pedras brutas e pontudas.

Registro que mesmo usando nesse tipo de terreno, não tive nenhum problema com cortes ou furos. Apenas não tive a oportunidade de utiliza-lo em barro ou lama.

Não tenho dúvida que nas estradas não pavimentadas o despenho dele é superior aos pneus mais lisos, mas é importante ressaltar que pilotar nesse tipo de terreno sofre muita influência da habilidade e experiência do piloto. É engano achar que usar um pneu lameiro vai lhe fazer um "super piloto" de Enduro. Melhora sim a performance mas dependera da sua perícia. Então poderá acontecer de você encontrar pessoas que usaram esse pneu e disseram que ele nada resolveu ou melhorou a pilotagem na estrada de chão.

Quanto a frenagem, também não tenho nenhuma observação negativa a fazer. Tanto no asfalto, em curvas, na chuva ou nos terrenos não pavimentados o comportamento foi muito bom. Mas registro mais uma vez que sempre utilizei ele dentro da normalidade e de faixas de velocidade que não me expunham a insegurança. Se não possui experiência com pneus lameiros, é importante saber que esse tipo de pneu com gomos de borracha mais espaçados, costumam perdem a eficiência quando estão em final da vida útil.  Então não abuse e fique atento a isso ok.

Marca de atrito com o solo na lateral do pneu, mostrando o grau de inclinação utilizado nas curvas.

Durabilidade

É incrível, mas a maioria das pessoas acaba dando mais importância a esse tema do que ao próprio comportamento do pneu. Infelizmente um grande engano, já que durabilidade não quer dizer segurança.

Outros pontos importantes que influenciam muito e fazem toda diferença na durabilidade e são as razões que na maioria das vezes dá uma grande diferença entre os usuários:

  • Modelo da Moto (torque, potencia, maior peso na frente ou atrás, controle de tração, ABS, etc);

  • Tipo de terreno utilizado;

  • Temperatura ambiente e consequentemente a do piso onde roda;

  • Peso de carga;

  • Com ou sem garupa;

  • E é claro, o principal, a forma de condução do motociclista.

Nesse item quero fazer um novo parêntese. Comprei esse pneu sob recomendação de um grande amigo que utilizou um par por mais de 20 mil Km. Na maioria das vezes em estradas pavimentadas, carregado e com garupa. Na troca o traseiro estava bem desgastado, mas o dianteiro estava praticamente novo.

No meu caso o pneu traseiro não teve o mesmo comportamento de desgaste. Seu consumo de borracha foi bem maior que o dele, mas ainda assim ficou em uma faixa próxima aos pneus que originalmente equipam essas motos. A previsão matemática de durabilidade será muito menor que os 20 mil km alcançados pelo meu amigo. A menos que ele tenha algum composto duplo que o deixara mais duro daqui para frente. Mas sinceramente não acredito nisso. E se isso acontecer com certeza irá afetar o desempenho do pneu.

O dianteiro por sua vez teve o desgaste pequeno e irá durar muito, praticamente um para cada três traseiros.

Duas outras informações importantes: Pelo trajeto conter muitas curvas e assim usar mais vezes as laterais dos pneus, bem como o clima na maioria foi de temperaturas baixas, o pneu traseiro não ficou "quadrado". Porém ainda é muito cedo (pouca quilometragem) para saber se esse efeito vai o ocorrer de forma mais acentuada ou não. 

Também não notei nenhuma bolha ou outro tipo de anomalia no formato dos pneus. O comportamento permanece o mesmo desde novos.

Entenda o Cálculo Matemático feito para Analisar a Durabilidade dos Pneus

 

Conforme quadro abaixo, com o uso de um Paquímetro Digital realizei medições em 4 pontos diferentes de cada pneu, obtendo uma média final de altura dos gomos de borracha. Esse tipo de medição é muito importante, porque mesmo novos os pneus não são perfeitos na altura dos gomos e existem pequenas variações. Depois de usados essa diferença tende a ser ainda maior porque o desgaste pode ocorrer de forma irregular devido a uma possível frenagem ou aceleração mais forte, com arrasto do pneu em terreno abrasivo.

As medições também foram feitas no centro do pneu onde há o maior desgaste e o que foi medido é a altura dos gomos comparados com a base do pneu. A primeira medição quando novo e a segunda após o retorno da viagem.

Previsão de Durabilidade: Importante ressaltar que essa previsão é feita sob um cálculo matemático simples, ou seja, se até o momento da medição o desgaste foi de "X%", a lógica é que ele dure até "X KM". Desde é claro, que você continue a utiliza-lo sob as mesmas condições climáticas, de velocidade, terrenos, frenagem, peso, etc, bem como os pneus mencionados não tragam de fábrica uma característica que mudem o seu desgaste conforme vai sendo consumido a borracha.  Isso acontece em pneus construídos com várias camadas de compostos diferentes. Tem pneus com características de consumirem mais borracha no início e outros no final. 

Por isso esse cálculo é apenas uma referência e não uma certeza que assim irá acontecer.

Por esse raciocínio você já pode perceber o porquê dá tanta confusão nos debates em Redes Sociais sobre durabilidade e qualidade dos pneus.

A opinião de um é quase sempre diferente do outro, pois os fatores e condições que cada um pilota influenciam muito no resultado final. 

IMPORTANTE: Observe que no final da tabela você ira encontrar duas Previsões de Durabilidade, sendo a primeira com base apenas na altura dos gomos de borracha medidos entre os sulcos e a segunda é a previsão já descontado o TWI (1mm) que corresponde a margem de segurança para uso do pneu, segundo o fabricante e as normas definidas pelos órgãos reguladores.

Medições

Conclusões

Como disse acima, comprei esses pneus com o intuito de usa-los em uma viagem à Carretera Autral no Chile e sob recomendações de um amigo que usou o mesmo por mais de 20 mil km e em uma moto igual a minha. Com a pandemia do COVID-19 eu tive que adiar essa viagem. Para não ficar com esses pneus parados em casa, montei e utilizei-os em uma viagem pelo Brasil, onde pude observa-lo em quase todas as condições possíveis de uso.

Minhas conclusões particulares são:

É um pneu misto que vai bem em todas as situações, mas particularmente acredito que não seria um pneu para o dia a dia e sim para uma viagem em específica que tivesse em sua composição a necessidade de um pneu 50X50.

Se eu for fazer uma longa viagem onde no mínimo 30% do trajeto é composto por estradas não pavimentadas ou quem sabe até menos porem de qualidade muito ruim, SIM eu usaria esse pneu porque o mesmo se mostrou muito eficiente em todos os tipos de terrenos, desde que eu o utilize dentro dos limites de cada situação. Exemplo, uma viagem à Carretera Austral no Chile ou uma viagem ao Jalapão aqui no Brasil, seria uma ótima opção para enfrentar essas aventuras e ao mesmo tempo percorrer longos trajetos em rodovias pavimentadas sem perder qualidade e segurança.

Compraria ele para fazer uma viagem ao Ushuaia? NÃO utilizaria, porque hoje a parte de rípio é tão pequena frente a grande quantidade de quilometragem em asfalto, que não justificaria o seu uso, uma vez que uma viagem como essa exige um pneu que dure mais e tenha maior estabilidade em pistas molhadas e maior conforto (menos barulho).

Uma viagem combinada entre Carretera e Ushuaia seria uma boa opção? Entendo que nesse caso SIM, porem tenho duvidas sobre a durabilidade do pneu traseiro. Precisaria ter uma condução muito cuidadosa, sem exagerar no torque e nas frenagens para que ele pudesse ter uma durabilidade maior.

Em resumo, para o meu tipo de uso onde 95% do tempo é em estradas asfaltadas e em longas viagens, não seria a primeira opção, muito menos para o uso diário onde se faz pequenos passeios ou viagens mais curtas, na sua maioria por asfaltos.

É um pneu lindo, de excelente qualidade, deixa a moto imponente e teoricamente pronta para qualquer tipo de terreno. Porem há um custo nisso, tanto no preço quanto ao que você deixa de desfrutar na sua moto, como conforto de rodagem, menos barulho, possibilidade de condução mais agressiva nas curvas. Mas que fique claro nessas observações que isso não é defeito do pneu, são características devido a construção e o propósito do mesmo.

Mas se você busca um pneu com essas características e não se importa com os pontos que abordei acima, sem sombra de duvida é um excelente pneu.

Custo Beneficio: É um pneu de custo superior aos tradicionais que equipam as motocicletas e também de difícil localização para compra. No meu caso encontrei apenas em um único lugar na cidade de Curitiba e na época (Fev/20) o custo saiu por R$2.000,00 o par. Como é um pneu importado, sofre as variações do dólar.

Então seria mais um ponto a ser considerado. Porem observe que a durabilidade do dianteiro se mostrou muito alta nesse modelo de moto que utilizo. Considerando o fato que não seria necessário substituir os dois a cada troca do pneu traseiro, o alto custo se dilui ao longo tempo e o custo beneficio se torna interessante se você for rodar sempre com ele.

Concluindo, para você medir o custo beneficio desse modelo de pneu, não se prenda apenas ao preço, mas principalmente no tipo de uso que você dará a ele.

Então é isso, espero ter contribuído para sua analise e mais uma vez reforço que as impressões acima são pessoais, utilizando a motocicleta de forma comum, por um usuário também comum, não sendo aplicada nenhuma metodologia técnica ou cientifica para fins de testes.

Um grande abraço.

Alcioni Marcio Fritz

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Pneu Dianteiro

Pneu Traseiro

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Pneus Trial Rider Avon

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