AMÉRICA DO SUL 2016

Brasil - Bolívia - Peru - Chile - Argentina

 

Tudo começou no final de 2015, com uma mensagem no celular, onde o amigo Paulo Rocha de Cuiabá teclava comigo aqui em Curitiba, perguntando sobre o roteiro que fizemos em 2012 para o Peru. Ele mencionava que o também amigo Clayton queria fazer uma viagem de moto para lá e havia lhe chamado para acompanhar.

Perguntando-me se eu iria novamente ao Peru, imediatamente expus que sim, mas somente se fosse pela Bolívia, país esse que sempre tive um pé atrás, e confesso que a minha colocação a ele foi mais no entusiasmo do que propriamente raciocinado.

De bate pronto o Rocha aceitou o meu "contra convite" e mais tarde alinhamos com o Clayton e sua esposa a sugestão de roteiro. Aqui em Curitiba os novos amigos Fabiano e Mariana também mencionaram a vontade de compartilhar da aventura.

Então no mês de janeiro/2016 iniciamos o planejamento da viagem, definindo roteiro, hotéis e pontos turísticos a serem visitados, tudo isso atrelado ao pouco prazo que tínhamos para rodar os cinco países, incluindo ai o Brasil com uma passada pelo Pantanal Sul-mato-grossense, a Bolívia, o Peru, o Chile e a Argentina. No caso do Clayton e do Rocha eles incluiriam o Paraguai no retorno.

Mas principalmente precisaríamos planejar a passagem pela Bolívia, afinal era algo totalmente novo, e as noticias que chegavam para nós sempre desanimadoras, porque traziam apenas fatos ruins.  Mas nada como uma boa pesquisa e conversa com quem já foi para esclarecer todas as duvidas e tomar coragem para fazer o percurso.  Mas ainda tinha a questão do combustível, que é um fator crucial em uma viagem de moto, devido a autonomia se comparado com um carro.

Então foram necessárias varias noites em cima do programa Basecamp da Garmin, analisando os mapas e postos pré-cadastrados, comparando com o Google Eart e o Stret View, de forma a confirmar a existência dos postos e programar os abastecimentos. Deu trabalho, mas valeu a pena.

Ao contrário de muitos que chegam falando mal da Bolívia, todo o nosso grupo chegou muito contente com a viagem e com o que viu, inclusive as três mulheres que participaram da viagem.

Sim, existem problemas, mas todos já estavam préviamente preparados e existia um planejamento para resolvê-los.

Como sempre digo, uma viagem como essa pode até ser feitas "nas coxas", mas você ira colher aquilo que plantou.  Porque correr o risco se você pode amenizar o impacto dos problemas com um bom planejamento?

Afinal o que vale mais: Fazer uma viagem na loucura só para dizer aos outros que ha fez, ou fazer uma viagem planejada e poder realmente ver e curtir tudo o que ela pode lhe proporcionar?

Então em 27 de fevereiro demos inicio a nossa viagem pela América do Sul, cujo destino final será Machu Picchu, porém passando pela Bolívia, o próprio Peru, Chile e Argentina. Acompanhe abaixo como foi nossa viagem trecho a trecho.

CURITIBA A CAMPO GRANDE

 

Por ser o primeiro trecho, esse também seria o mais longo.  Nesse dia na companhia da Magali e do casal Fabiano e Mariana, também de Curitiba, percorremos 1.000 km através das rodovias que cortam o norte do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul.  Optei por passar por Maringá, atravessando a divisa entre São Paulo e o Mato Grosso do Sul pela Usina Porto Primavera, um lugar bem legal de conhecer.  Nesse trecho as estradas são menos movimentadas e também estavam mais conservadas.

Porém, logo após a travessia acabamos encontrando um acidente com uma carreta, a qual travava toda a rodovia.  No chão muita soja esparramada e a chuva que caia fez com que o piso ficasse muito escorregadio.  Passar por aquela soja foi desafiador porque as motos literalmente não queriam parar em pé. Isso acabou atrasando a viagem e chegamos a Campo Grande já de noite, próximo às 21h.

Depois de nos hospedarmos no Buriti Hotel e de um rápido banho, partimos para a famosa Feira de Campo Grande, um local conhecido pela culinária, onde o principal atrativo é o delicioso Sobá ou Udon, uma comida de origem japonesa, que nada mais é que uma espécie de sopa de macarrão, porém com tempero, adereços e modo de preparo bem diferente e especial. 

Nessa mesma feira pudemos então nos encontrar com os nossos velhos amigos Paulo Rocha, Clayton e Mariane, vindos de Cuiabá e que nos acompanhariam na viagem. Nem precisa  comentar que foi uma grande festa estar com toda a turma reunida.

 

CAMPO GRANDE À CORUMBA


Nosso segundo dia começou com muita chuva.  Tínhamos 400 km para rodar, então domingo logo cedo saímos em direção à Corumbá, cidade fronteiriça com a Bolívia e famosa por ser uma região considerada perigosa devido ao tráfico de drogas.  Por outro lado, devido a sua localização em meio ao Pantanal, Corumbá é uma cidade também famosa pela pesca.

Mas logo nos primeiros quilômetros de estrada, a minha moto apresentou um sintoma muito estranho, a roda dianteira começou a vibrar muito forte quando desacelerava abaixo de 80km/h. A vibração realmente era muito forte, a ponto de ter que segurar o guidão muito firme para não cair.

Debaixo de chuva paramos à beira da estrada e tentamos identificar o problema. Aparentemente estava no amortecedor de direção que foi introduzido na nova GSA justamente para resolver o problema de vibração em alta velocidade e no meu caso era em baixa!

Já estava decido que eu iria retornar a Campo Grande e lá tentaria resolver o problema. O restante da turma seguiria com a programação.

Mas então resolvi seguir na viagem e ver o que dava.  Acabei fazendo todos os mais de nove mil quilômetros dessa forma.

A caminho de Corumbá passamos no meio do Pantanal, uma região belíssima e muito conservada.  A rodovia que possui apenas um único pedágio já muito próximo a Corumbá, estava em excelente estado, com pavimento novo e bem conservado e sinalizado, principalmente com relação à preservação da fauna. A única inconveniência é o numero absurdo de pedágios, todos de 80 km/h.

Algumas vezes paramos para tirar fotos da região pantaneira e chegamos em Corumbá pouco após as 13h, ainda a tempo de almoçarmos e degustarmos um delicioso peixe. Assim que nos hospedamos no Hotel Nacional Palace, saímos em direção à fronteira, onde iríamos fazer todo o processo de migração e em seguida retornaríamos para dormir em Corumbá mesmo. Com isso agilizaríamos a nossa viagem para o dia seguinte.

A fronteira é próxima a cidade, mas chegando lá uma dura realidade, nos deparamos com um péssimo serviço por parte da estrutura brasileira. Para entrar na Bolívia é obrigatório fazermos um documento registrando nossa saída do Brasil, caso contrario não é aceito a entrada naquele país.  Porém o posto alfandegário estava lotado  e não havia nenhum tipo de organização.  Nem se quer haviam pessoas que nos dessem orientação em qual fila deveríamos entrar.  Para piorar, o "mau humor" dos funcionários da nossa alfândega era um verdadeiro absurdo. Todos sem exceção foram muito mal tratados, sejam brasileiros ou estrangeiros. Com isso o tempo passou, ficando por mais de 3 horas debaixo de um calor e uma humidade muito forte.

Quando terminamos o processo de saída atravessamos a pé para o outro lado e fizemos os processos de entrada das pessoas levando não mais que 10 minutos. Fomos praticamente os últimos a fazer o tramite uma vez que a alfândega estava fechando.  A entrada das motos foi necessário deixamos para o dia seguinte.

Retornamos então para Corumbá que é bem próxima a fronteira, pouco mais de 5 km, e lá aproveitamos a estrutura do hotel para tomar um banho de piscina, jantarmos e descansarmos.

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CORUMBÁ À SANTA CRUZ DE LA SIERRA - BOLÍVIA

 

Hoje o percurso será de 600 km em trajeto simples, sem serras ou altitude, porém todo ele por uma região desconhecida e cheia de histórias, e infelizmente todas histórias ruins!

Nunca ninguém chegou para mim ou então li ou fiquei sabendo de algo que fosse interessante ou bonito nesse trecho.  Tínha também a questão do combustível que segundo orientações seria um dos principais problemas.

Acordamos então bem cedo, tempo já claro, mas com chuva. Como a fronteira abre somente as nove da manha, não adianta levantar de madrugada, mas optamos em ir mais cedo e aguardar o atendimento já na fila.

Por sorte formos os primeiros a chegar e até as 10 da manha já havíamos feito o processo de entrada na Bolívia das quatro motos.  Também aproveitamos para fazermos cambio, comprando a moeda boliviana.  Isso é feito de forma muito simples, tem muitos lugares na fronteira.  

Outra dica é sobre o processo de alfandega.  É necessário tirar copia de todos os documentos pessoais e do veiculo e isso você também faz localmente em diversas bancas de fotocópias que existem do lado boliviano. Vejam que tentar fazer todo o processo de aduana um dia antes é fundamental para não perder tempo e assim chegar mais cedo em Santa Cruz de La Sierra, principalmente pelo fato de se fazer um trajeto que não se conhece.

Aqui um detalhe importante.  Não basta apenas fazer a entrada dos veículos na aduana, logo em seguida é necessário se deslocar uns 15 km até a próxima cidade chamada Puerto Soárez, que fica fora da rodovia, e lá fazer uma "nova autorização" para transitar com o veiculo estrangeiro na Bolívia.  Porque entre aspas? Porque na verdade essa autorização não é um documento oficial, é um procedimento local, o qual é cobrado uma taxa, que convertida vira uns 35 reais. Como sabemos, todo processo aduaneiro não tem custos, então porque cobrar?

Se você não fizer esse procedimento ira logo em seguida saber as consequências. Logo no primeiro pedágio existe uma barreira, onde um policial a paisana fica debaixo de uma pequena barraca, segurando uma corda que atravessa a estrada.  Você deve parar e apresentar a dita cuja autorização de transito.  Se estiver tudo certo segue em frente. Não vou afirmar nada, mas ai cada um tira suas conclusões sobre a "taxa" que pagou por esse documento. Mas essa foi a única situação que nos pareceu um tanto suspeita.  Em nenhum momento tivemos problemas com guardas pedindo propinas.

 

Todo o percurso do dia é feito em terreno plano, muito poucas subidas, praticamente nenhuma serra ou altitude.

Nossa primeira abastecida foi em Roboré que fica a 220 km da fronteira, lugar que um boliviano mencionou para evitarmos devido a risco de assalto. O próximo posto ficava a mais de 150 km dessa cidades, ou seja, não ha opção, você precisa parar ali para abastecer.  A cidade apesar de pequena não se mostrou nada anormal, muito pelo contrario, haviam muitas crianças na rua, todas uniformizadas indo para a escola e enquanto procurávamos o posto fomos abordados por dois garotos em uma moto, que em espanhol nos perguntaram se estávamos querendo abastecer.  Falei que sim e eles se ofereceram para nos nos levar ate o posto!

Parece um pouco assustador, mas não  foi nada disso. Os garotos nos levaram direto no posto e chegando lá pediram para tirar uma foto das motos, uma vez que a cidade é muito pequena e dificilmente eles tem contato com motos de grande porte. Pura curiosidade e admiração mesmo. Tentei dar 20 bolivianos a um deles como forma de agradecimento, mas recusaram dizendo que "estavam fazendo um favor e favor não se paga com dinheiro". Então agradecemos e lhes demos um adesivo, fazendo juntos mais algumas fotos. Em resumo, tudo muito diferente do que haviam nos falado.

Sobre o abastecimento, o custo do combustível é bem mais caro que o preço normal da bomba e tivemos que fazer um cadastro por meio de um sistema específico para estrangeiros.  No cadastro requer os dados do veiculo e do condutor.

O posto tinha uma estrutura razoável, com banheiros e uma lanchonete, onde aproveitamos para fazer um lanche, basicamente comendo produtos industrializados. Durante todo o trajeto na Bolívia optamos em não almoçarmos, fazendo apenas uso de produtos industrializados e embalados de fábrica.  Não ha muitas opções e assim também evitamos um possível distúrbio intestinal.  Porem a noite fazíamos as refeições normalmente, alias comíamos muito bem.

Ainda sobre combustivel, os postos que abastecem estrangeiros possuem um ou mais militares armados fazendo guarda.  É inclusive uma forma de você identificar que ele abastece estrangeiros.

Ao longo do caminho encontramos nossa primeira atração com parada obrigatória, uma cachoeira à beira da rodovia, que cai de uma montanha muito alta, formando "um véu de noiva".

Até Santa Cruz paramos mais duas vezes para abastecer, seguindo o mesmo esquema do primeiro abastecimento. Em nenhum momento foi necessário gasolina extra em galões.

Chegamos ao final do dia em Santa Cruz de La Sierra, uma cidade grande e interessante para ficar pelo menos um dia.  Possui pontos turísticos, os quais não pudemos conhecer porque durante a programação da viagem optamos em apenas pernoitar.  Nessa cidade já tivemos o primeiro contato com uma pequena amostra do transito caótico das grandes cidades bolivianas.  O que não tem de carro nas estradas, tem de sobra nas cidades. E isso requer muitos cuidados.

Brasileiro que chega na Bolívia pilotando igual faz no Brasil, tem uma boa chance de se envolver em acidentes!

Nosso hotel foi excelente, com ótima estrutura, piscina grande e limpa e um ótimo restaurante. Fica a dica, Hotel House Inn.

SANTA CRUZ DE LA SIERRA A COCHABAMBA

 

Daqui para frente nosso cenário muda completamente. Se no dia anterior tivemos apenas estradas em baixa altitude, no dia hoje subiremos acima de 4 mil metros e as rodovias serão em boa parte nas Cordilheiras.  Existem duas opções de trajeto, sendo a Ruta 7 (por baixo) e a Ruta 4 (por cima).  Escolhemos a 4 porque é o trajeto mais conhecido de todos que vão para lá.

Ao todo serão 400 km no dia, parece pouco, mas será necessário quase o dia todo para percorrer, uma vez que o percurso é bem sinuoso. A própria altitude ira diminuir a potência das motos, e devido iniciarmos a travessia das Cordilheiras, teremos muitos trechos com desmoronamentos, o que faz com que a viajem fique bastante travada.  O movimento nas rodovias também aumenta, há um fluxo elevado de ônibus e caminhões.

A temperatura também muda. Metade do percurso será feito em uma temperatura elevada. Em março, ficamos entre 30 a 38 graus e na segunda parte subindo nas montanhas a temperatura cai abaixo de 10 graus.

Esse trecho requer cuidados redobrados na pilotagem.  Durante a travessia das Cordilheiras as rodovias praticamente não possuem lugar de ultrapassagem e tem muito movimento de carretas com cargas pesadas e trechos com muita neblina e até nevoeiros. Também ha incidência de chuvas causando os desmoronamentos. Esses desmoronamentos podem impedir a passagem, mas equipes de manutenção trabalham o tempo todo nas obras de recuperação.

Então volto a reforçar aquilo que venho comentando, não da para pilotar na Bolívia da mesma forma que se pilota no Brasil.  É preciso muita atenção.  Muitos não levam em consideração, mas imagine você ter que fazer uma ultrapassagem rápida em uma região cheia de curvas, neblina, fluxo alto de carretas, e devido a altitude a moto não respondendo da mesma forma como aconteceria em uma rodovia em baixa altitude!

Se a moto estiver com muito peso e se for de cilindragem inferior a 800 CC, a situação requer mais cuidados ainda, porque certamente você poderá passar apuros. Veja, qualquer moto vai a qualquer lugar, como exemplo, na nossa turma havia uma moto de 650 CC.  O que precisa ser respeitado são as limitações e pilotar de acordo com elas.

Vendo essa situação de perto pude entender perfeitamente o porquê ficamos sabendo de tantos casos de brasileiros se acidentarem na Bolívia. Se você já pilotou no Atacama ou outras regiões de altitude pode estar fazendo uma correlação com esses lugares e não estar entendendo o porquê de tanta atenção com a queda da potência da moto.

Posso lhe afirmar, não compare as regiões. O Atacama por exemplo não tem movimento, as curvas são raras, e o terreno é plano, enquanto na Bolívia estamos falando de estradas com despenhadeiros altíssimos e que não dão margem para erros. Então muita atenção mesmo.

Mas por outro lado você encontra novamente algumas regiões muito bonitas, principalmente quando esta mais próximo a Cochabamba, onde em meio às montanhas existem grandes lagos formando um cenário de cinema.

Cochabamba é uma cidade muito bonita, com excelente estrutura, inclusive de transito, destacando-se das demais cidades bolivianas. Eu diria que ela é a cidade mais organizada da Bolívia. A altitude é de 2.500 metros, o que não incomoda a maioria das pessoas, mas pode em alguns provocar algum mau estar.

Mais uma vez ficamos muito bem hospedados no Apart Hotel Regina e pudemos também conhecer excelentes restaurantes localizados na região central.

A cidade possui muitos atrativos, valendo a pena ficar pelo menos um dia se assim tiver tempo para isso.  À noite vale a pena conhecer a praça central da igreja matriz, a iluminação da um tom diferente aos prédios antigos, permitindo tirar belas fotos.

COCHABAMBA A LA PAZ

 

A exemplo do dia anterior, hoje também terá apenas 400 km de percurso, mas será todo feito em altitudes superiores a 4 mil metros e temperaturas amenas que requerem um reforço nas roupas.

O trajeto é misto, parte em estradas simples com muitas curvas passando pelas Cordilheiras, e no final grande retas em pistas duplas, mas sempre em altitude.

Nesse dia também não tivemos problemas com abastecimento. Na saída de Cochabamba foi necessário procurarmos postos que abastecessem estrangeiros, mas nada de tão terrível.  No quarto posto em que paramos havia o sistema.  Na estrada abastecemos apenas uma vez e também foi tranquilo.

O percurso é muito bonito, as rodovias são bem boas e o movimento de caminhões  também tranquilo. Apenas na saída que encontramos na cidade o tradicional transito caótico das maiores cidades da Bolívia.

O que passou a incomodar foi a altitude.  Estávamos a dois dias andando acima de 3.500 metros e o corpo sente a mudança.  Cada um tem sintomas diferentes, uns dores de cabeça outros com cansaço, outros com enjoou no estômago e outros com tudo isso. Porém há quem não sinta nada.  Estar bem preparado fisicamente e beber muita água ajuda muito.  Clique aqui e leia mais sobre o tema.

 

Ao longo do caminho encontramos muitas lhamas e alpacas, e fizemos algumas paradas para tirar fotos com elas e também do visual das serras que é realmente muito bonito.

Chegando a La Paz as coisas mudam de figura com relação ao transito e então temos contato com a total desordem "ordenada" que é o trânsito e o sistema de transporte público feito na capital bolíviana, região que reúne uma serie de cidades vizinhas, incluindo ai Los Altos.que éum municipio bem populoso.

Por algum tempo fomos nos misturando aos amontoados de vans, micro ônibus e taxis que fazem o transporte das pessoas. Parece não existir empresas publicas ou mesmo privadas com linhas tradicionais iguais se tem no Brasil.  Lá tudo é feito com transporte alternativo e acreditem, tem muitos veículos fazendo isso.

À população parece ter uma ansiedade de se deslocar. Literalmente achamos que estávamos em um “formigueiro” de pessoas e veículos. Aos poucos fomos vencendo aquele trânsito, se cuidando para não nos acidentarmos e também não nos perdermos uns dos outros.

Além do movimento intenso, existe um zunido ensurdecedor provocado pelas buzinas. Literalmente eles "se comunicam" pelas buzinas, e dessa forma se entendem.  Não vimos nenhum acidente entre eles, mas acreditem, se não tomar cuidado você vai para o chão. Eles não estão acostumados com motocicletas de grande porte e partem pra cima, você tem que pilotar defensivamente o tempo todo.

Mas ainda estávamos em Los Altos, Lá Paz ainda estava por vir.. Vale o registro que a chegada nessa cidade também nos traz a imagem no horizonte de outra beleza natural, que a vista de grandes montanhas que ficam apos La Paz. A maioria coberta de gelo e o visual é espetacular.

Mas voltando a nossa chegada, depois de passado pelo ultimo pedágio, finalmente avistamos La Paz, que fica localizada sob a cidade de Los Altos, literalmente um grande buraco cravado em meio às montanhas. Nesse buraco outro formigueiro de casas e prédios amontoados pelas encostas.  

A primeira visão realmente assusta, inevitavelmente vem a mente uma grande favela invertida, ou seja, em vez dela subir o morro, ela desce.

Eu diria que algumas pessoas provavelmente devem ver aquilo e querer voltar para traz porque realmente é feio, e a grande maioria dos prédios não possuem reboco e pintura, é tijolo a vista mesmo. Não sei se é verdade, mas “diz a lenda” que lá existe uma lei que reduz o imposto das casas mais humildes e ai virou uma grande festa, ou seja, mesmo quem tem recurso não reboca a sua casa para ter direito ao desconto dos impostos.

Mas agora vamos esquecer essa história e ver La Paz sobre outro prisma. Ao começar a descer as avenidas e as ruelas que cortam a cidade e assim ir chegando a região central, você começa a descobrir outra cidade. Sim, o transito continua caótico, mas avistamos muitas edificações modernas, que se misturam a muitos prédios antigos e históricos, formando uma beleza diferente.

Ao chegarmos no hotel que háviamos reservado, tivemos outra grata surpresa, sendo surpreendidos por um hotel muito bom. Pequeno mas muito aconchegante, um verdadeiro hotel butique. Além de muito confortável, possuía um restaurante com cozinha internacional que não fica devendo a nenhum outro nessa categoria. Anote ai, Rendezvours Guest House & Restaurante.  No Booking ele leva nota acima de 9.  Muito pequeno, mas muito confortável e aconchegante.

Como chegamos ainda no meio da tarde e ainda não tínhamos almoçado, deixamos as motos no hotel e saímos rapidamente para a rua, onde pudemos encontrar vários restaurantes bem montados e de cozinha confiável, que realmente são coisas que não vemos nas estradas, por isso sempre optamos em não almoçar ou fazer refeições preparadas nas estradas, comíamos apenas alimentos industrializados e chegando nas cidades maiores ai sim jantávamos.

Também aproveitamos para conhecer o famoso o Mercado das Bruxas, que é na verdade uma serie de ruelas, todas de subidas muito íngremes a mais de 3700 metros de altitude, e cheias de lojas vendendo uma serie de bugigangas e souvenir.  Muito legal, vale o passeio e o esforço, já que a altitude judia.

Também aproveitamos para visitar a Igreja de São Francisco. Muito linda, cujo interior é senssacional. Infelizmente é proibido tirar fotos lá dentro.

Lembram-se do problema de vibração da minha moto ocorrido no segundo dia da viagem? Pois bem, aproveitei que há uma concessionaria BMW na cidade e levei a moto até lá. Foram muitos simpáticos e atenciosos, esforçando-se para achar a razão do problema, mas de bate pronto não foi possível achar o que era. Seria necessário deixar a moto para um levantamento mais detalhado. Então optei em continuar viagem porque nossa programação estava justa e não queria atrasa-la. Mas mesmo assim eles se ofereceram para lavar a moto que estava muito suja e dar uma geral nas pastilhas de freio como preventivo.  Em resumo foram muito atenciosos.  Recomendo. Como não gosto de lavar a moto em meio de viagêm, agradeci pela atenção e retornei com ela para o hotel.

Depois de bater muita perna pela cidade, andando sempre de a pé ou de taxi e assim evitando correr o risco de acontecer algum acidente com as motos, retornamos ao hotel onde pudemos então degustar um belo jantar, acompanhando de um belo vinho, e descansar para na manha seguinte encarar a famosa Estrada da Morte.

LA PAZ, ESTRADA DA MORTE A PUNO NO PERU.

 

O trecho de hoje será de 360 km, onde o planejamento é sair cedo de La Paz e percorrer a Ruta 3 por uns 120 km ate o início da Estrada da Morte. Por ela retornaremos em direção a La Paz e depois seguiremos para a fronteira com o Peru, indo dormir em Puno.

Na saída muito congestionamento, algumas vezes literalmente parados em meio ao mar de carros, ônibus e vans, sem falar da confusão para sair da cidade pelos becos e ruelas que o GPS mandava entrar e na verdade eram ruas sem saídas. Para piorar algumas eram extremamente íngremes, terminando em uma parede formada pelos morros. Para virar a moto e voltar para traz era uma verdadeira ginastica.

 

Então uma das motos apresentou um superaquecimento, provocado pela quebra da ventoinha do radiador.

Fomos pilotando com cuidado e muito devagar para evitar mais aquecimento da moto, mas ao mesmo tempo tentando sair da cidade e arrumar algum lugar para fazer a manutenção da moto.  Então encontramos algumas oficinas de moto, mas nada sofisticado, alias, bem pelo contrario, oficinas bem pequenas e sujas, típico aquelas de bairros simples e que só atendem motos pequenas, mas era o que tinha.

Apesar da simplicidade, um dos meninos que nos atendeu se mostrou muito prestativo, inclusive acompanhando alguns colegas ate outra região da cidade, onde foram de taxi tentar encontrar uma ventoinha para substituir a danificada.

Mas infelizmente não encontramos a peça e o rapaz acabou fazendo um trabalho de recuperação da peça quebrada, literalmente colando as pecas com epóxi. Um verdadeiro trabalho artesanal. 

Mas nessa altura já se passara toda a manha e seria arriscado colocar essa moto na Estrada da Morte.  Seguindo o que previamente havíamos combinado no planejamento da viagem, duas motos seguiriam conforme planejado e as outras duas abortariam parte do roteiro, seguindo direto para Puno.

Então eu, a Magali, o Fabiano e a Mariana continuamos o trajeto rumo a Ruta 3 que nos levaria a Coróico. Na saída subimos pelas cordilheiras ate 4.500 metros de altitude, onde uma pequena neve começou a cair. Mas logo em seguida ela parou e o sol começou a aparecer. Na Ruta 3 começa mos uma longa descida por mais de 100 km, onde o visual da estrada é indescritível. É uma sequência de curvas por todo o trajeto, onde cadeias de montanhas com paredões muito retos rodeiam a rodovia. Sem duvida essa rodovia possui um dos trajetos mais bonitos que já percorri em toda minha vida. Conforme descíamos, a temperatura também subia, a ponto de ficar muito calor.

No caminho um desmoronamento muito grande e com máquinas trabalhando na pista fizeram com que ficássemos parados por um tempo.

Em cima da rodovia muita lama.  De tão lisa a moto não conseguia tracionar os pneus em cima da estrada.  Com cuidado passamos pelo lugar e descemos mais um pouco ate chegar ao inicio da estrada chamada originalmente de Caminho dos Yungas, ou Ruta de La Muerte.

Não há indicações que ela começa por ai, seguimos pelo que havíamos programado no Gps e buscado informações.  O primeiro trecho é apenas uma estrada muito estreita e cheia de mato que faz a ligação com o trecho principal.  Então começamos a subir novamente.  O visual é fantástico e indescritível.  Passa-se por trechos mais largos e outros mais estreitos.  Às vezes o despenhadeiro fica do lado esquerdo e outros trechos do lado direito.

E assim vamos contornando as montanhas.  A subida não é muito íngreme, mas é fato que você sai de uma altitude de pouco mais de 1.000 metros e chega ate a 4 mil metros.  Aos poucos o fôlego vai acabando com a altitude e é preciso mais atenção porque o cansaço chega. Sendo bem honesto, uma moto de 1.200 cilindradas não foi feita para esse tipo de terreno.  Seu peso judia.  Mas com cuidado vai bem.

Ao longo da subida você encontra diversos obstáculos.  Sejam pequenos riachos que cortam a estrada, sejam desmoronamentos de pedras.  Fato é que de um lado é barranco e do outro um despenhadeiro que como falei chega acima de 3 mil metros de altura.

O trajeto é todo em estrada de chão ou de ripio como queiram chamar. O sistema é "mão inglesa", ou seja, subimos pelo lado esquerdo da pista e a descida pelo lado direito.  De moto a sugestão é sempre subir porque ai você fica mais tempo do lado da parede.  É preciso também tomar cuidado com os ciclistas que descem a estrada e nem sempre respeitam o sentido da mão.  Alias essa estrada virou um paraíso para o montan bike. Tem várias agencias de turismo em la Paz que fazem esse passeio com o aluguel das bikes.

Terminada a aventura retornamos  pela ruta 3 ate Los Altos, vizinho de La Paz. Já era quase 19h e optamos em seguir em frente na tentativa de chegar a Puno na mesma noite. Mas mais uma vez fomos atrasados pelo transito caótico da região e ate atravessar esses duas cidades, a noite chegou.  Quando pegamos a rodovia em direção à fronteira já era mais de 20 h. A essa altura estávamos ainda sem almoço e com pouca gasolina no tanque.  Os postos não estavam aceitando abastecer estrangeiros pelos motivos que já expliquei atrás e logo todos também já estavam fechados pelo avançar da hora.

Então só nos restava encarar a rodovia e pilotar a noite pela Bolívia até chegar na fronteira, e com pouco combustivel.  A estrada não era das melhores e ao cruzar pelos carros bolivianos eles infelizmente tem um péssimo costume de dar luz alta.  Ai vai vendo!

Cortamos pouco mais de 100 km até a fronteira e chegando lá uma surpresa.  A alfandega não funciona a noite e teríamos que pernoitar em um pequeno vilarejo chamado Desaguadero ainda do lado da Bolívia.

Apesar de ser ao lado do Lago Titicaca, o lugar é muito feio e extremamente precário.  Não ha recursos, tudo é improvisado.  Durante o dia é uma grande feira ao ar livre e de noite apenas alguns transitam pela rua.  Nem precisa dizer o quanto é um lugar perigoso, mas fato que graças a Deus não tivemos problemas.  Encontramos um hotel muito simples (vocês não tem noção o quanto era simples kkkkk) que ficava bem ao lado da fronteira e que aceitou e recomendou guardar as motos no corredor apertado que dava acesso a ele e assim ficariam mais seguras.  Segundo o vigia e porteiro do hotel, deixar para fora na rua era certeza de serem roubadas.

Então comemos alguma coisa que encontramos na rua e deitamos com roupa e tudo nas camas para descansar um pouco, afinal o dia tinha sido muito cheio de aventuras e estradas.

 

As 5 da manha já estávamos de pé porque tínhamos que liberar o corredor e tirar as motos para fora. Do lado da Bolívia já estava aberto a alfandega e adiantamos a nossa saída. Porem a aduana para dar saída nas motos somente iria abrir as 9 da manha.  Ficamos ai parados esperando ate o horário de abertura.

Uma dica.  Evite ficar tirando fotos e filmando o lugar.  Fui advertido por um dos policiais que ameaçou me tomar a câmera se não a desligasse.  O motivo alegado por eles é segurança.  Mas na verdade o que acontece é outra coisa.  Vira um verdadeiro formigueiro de pessoas passando de um lado para o outro, levando e trazendo uma serie de mercadorias,  e ai cada um tire suas conclusões.

Então atravessamos uma pequena ponte e já estávamos no Peru onde demos entrada.  Mas antes tivemos que fazer um seguro obrigatório para as motos, chamado de Suat.  Muito caro, a um custo de 75 dólares por três meses.  Mas tem outros ainda mais caros.  Se você fizer em bancos eles só confeccionam por 12 meses.  Nesse lugar indicado pelo guarda da aduana eles fazem em um prazo menor, mas não ha opção por menos tempo igual ao Soapex no Chile, que você pode fazer até por um dia.

Porem do lado Peruano é um pouco mais organizado e sem duvida é um belo país.  Estradas perfeitas, visual fantástico e há quase todo tempo viajando a mais de 4 mil metros de altitude. O trecho até Puno é todo ele margeando o Lago Titicaca.  Um belo trajeto. Então ao meio dia chegamos a Puno onde encontramos os colegas que tinham vindo no dia anterior e novamente com toda a turma reunida.

PUNO

 

Puno é uma cidade muito simples, localizada às margens do Lago Titicaca, mas tem suas belezas.  Você pode passear pelos seus monumentos, igrejas e também subir lá no alto da cidade para admirar a vista.

Mas o ponto alto são os passeios pelo lago Titicaca.  Só pelo fato de você estar navegando a 4 mil metros de altitude já e um atrativo, mas na verdade entrar lago adentro é viajar no tempo e na história. Existe uma série de passeios, mas visitar as ilhas flutuantes Uros é imperdível.

Para isso você precisa contratar o passeio de barco, o qual pode ser feito direto na marina ou nos hotéis.

Falando em hotéis, Puno tem uma série deles, do mais barato até os muito caros.  Ficamos no Hotel Eco Inn, localizado um pouco mais distante do centro da cidade, mas em frente ao lago.  Tem uma ótima estrutura, excelentes e espaçosos quartos e um belo restaurante. Fique pelo menos duas noites em Puno, assim já aproveita para descansar um pouco.

PUNO À CUSCO

 

O trajeto é todo feito a 4 mil metros de altitude e por uma grande planície.  A rodovia é de pista simples, mas perfeita.  São menos de 400 km que ligam essas duas cidades e ao longo do caminho você pode admirar as montanhas. Dependendo do período do ano, algumas terão gelo nos picos.

É um visual simples, mas muito belo devido à formação dos campos e das montanhas.  Há muitos postos de combustível, então abastecer não será problema.  Porém são postos simples, sem luxo, então não espere lugares incrementados para lanchar ou banheiros muito limpos.  Tudo é simples e rustico. No Peru não existe nenhum tipo de restrição de abastecimento aos estrangeiros.

Saímos de Puno às 09 da manha e as 13 h já estávamos chegando em Cuzco, assim o trajeto é bem rápido. O que atrasa um pouco é a passagem pela cidade de Juliaca.  Nessa cidade o transito é bem chato, com muitos carros e os famosos "Tuc Tuc", que são as motos com carenagem de carro.  Cuidado com o transito, os motoristas são bem indisciplinados com as regras de transito e é muito fácil você arrumar uma colisão.

CUSCO

 

Pela segunda vez visito essa cidade e sem duvida é outro lugar que não pode faltar na sua lista de lugares para se conhecer.

Cusco é a porta de entrada para se chegar a Machu Picchu, mas você precisa ter uma agenda de ficar pelo menos dois dias por lá.  Com certeza você terá lugares para visitar por mais dias, mas no mínimo reserve dois dias e 3 noites.  É uma cidade totalmente histórica, então cada esquina lhe reserva uma parte da história da humanidade.

Minha primeira chegada em Cusco em 2012 foi "meio traumática", era de noite, chovia, fazia muito frio, tinha acabado de atravessar as Cordilheiras de noite e com neve, a altitude estava me incomodando muito, e não achava hotel para se acomodar.  Então foi muito difícil a chegada com o transito caótico.

Mas dessa vez foi tudo diferente.  Chegamos em uma tarde de sábado, pouco movimento, dia de sol, tempo limpo e clima ameno, enfim, tarde perfeita e tranquila.

Cusco tem excelentes restaurantes e ótimos hotéis, mas fique atento aos preços, pesquise bem antes de ir.  Tem também muitas agencias de turismo para que você consulte e programe os seus passeios.  Não deixe de andar a pé pela cidade.  A altitude judia um pouco, mas da para encarar.

Siga uma dica: Se você estiver vindo pelo mesmo caminho da nossa viagem, já estará mais adaptado com a altitude, então já estará tudo bem.

Mas se você tiver chegado pelo Acre, com certeza ira estar sentido mais a altitude.  Então nesse caso tire o primeiro dia apenas para descansar. Evite bebidas alcoólicas e coma pouco.  No segundo dia em diante você já estará melhor.  Consulte esse link, onde posto mais dicas sobre viajar em lugares de altitude.

Em Cusco também recebemos a companhia da Analice, esposa do Paulo Rocha, a qual foi de avião e passou conosco os 3 dias que estivemos por lá. Em seguida ela retornou para o Brasil.

MACHU PICCHU

 

Nossa ida para Machu Picchu foi idêntica à primeira vez em que estivemos por lá em 2012.  Entendo que é uma ótima opção para quem tem pouco tempo na agenda.  Locamos uma van que nos pegou no hotel as 3 da manha e seguimos nela até Ollantaytambo, uma pequena cidade onde existe uma estação de trem.  Lá pegamos o trem das 6 da manha, o qual em uma hora e meia nos deixa em Aguas Calientes, aos pés de Machu Picchu.

Essa logística economiza muito tempo.  Se você pegar o trem em Cusco até Aguas Calientes, ira levar até 5 horas de percurso, que deixa a viagem cansativa e muito demorada.

O trajeto de trem é fantástico.  Se levar sorte de pegar o tempo limpo ira curtir um dos visuais mais fantásticos que já viu.  Todo ele é feito nos pés das montanhas que ficam com os seus picos congelados e ao lado de um rio não muito largo mas de correnteza muito forte. 

Nesse trajeto tem duas companhias que fazem o percurso. Já usei as duas e prefiro a Perurail.  Tem também diversas modalidades de Trem, do mais simples aos mais luxuosos e o preço acompanha o modelo.  Não é barato, mas vale a pena o investimento de se visitar Machu Picchu.

A classe Turismo no trem é bem confortável, tendo um bom custo beneficio.

Em Águas Calientes pegamos os coletivos que nos levam morro acima até Machu Pichu, localizado a 2.500 metros de altitude.

Ficamos então por 5 horas em Machu Picchu e na volta pegamos o trem das 4 da tarde até Ollantaytambo.  Lá a van já nos esperava para retornar a Cusco.

Detalhe, o trem é a única forma de chegar em Machu Pichu.  Outro meio somente a pé, e acredite, tem muito gente que faz assim o caminho.

CUSCO A AREQUIPA

 

Depois de alguns dias em Cusco, chegou a hora de iniciarmos a descida para o Chile, fazendo parte do percurso inverso à vinda de Puno, porem em Juliaca entramos na Carretera Interoceânica, que nos levará até Arequipa.

Saímos as 8 da manha, tempo aberto, sem nuvens e com temperatura agradável de 16 graus, para fazermos os 500 km através das Rutas 3S e 34A.  O percurso é excelente, com paisagens muito bonitas. Em um determinado ponto da Interoceânica passamos pela Laguna Lagunillas, um grande lago à beira da rodovia, onde no alto de um mirante você avista uma bela paisagem, o que merece uma parada obrigatória no lugar.

Nessa rodovia fique atento ao combustível.  Tem postos mas não da para abusar. 

 

Nesse dia fomos surpreendidos por uma forte chuva, com vento lateral e muito frio. Foi um trecho pequeno mas que mereceu mais cuidados.

Também não tivemos almoço.  Há poucos lugares para almoçar, e optamos em seguir no mesmo esquema que fizemos atravessando a Bolívia.

Voltamos a ter um novo imprevisto com a moto que havia dado problema na ventoinha do radiador, a qual não queria ligar depois de uma parada.

Pensamos que tivesse ocorrido uma pane elétrica e já estávamos se planejando para coloca-la em cima de um caminhão, quando surgiu a ideia de balança-la com força de um lado para o outro.  E não é que resolveu!  A moto pegou e seguimos viagem sem saber a explicação exata para o problema.  Tudo indica que a altitude afetou o sistema de injeção eletrônica.

Aos poucos a paisagem também vai mudando e o verde vai sendo trocado pelas paisagens áridas e desérticas.  Chegando a Arequipa já não se avista mais nenhum tipo de verde, somente pedras e terra arenosa.  A chegada é por uma serra saindo dos 4 mil metros até próximos 2 mil metros.

Muito transito de caminhões e a entrada da cidade é feia, parecendo uma grande favela, mas depois você descobre que é uma bela cidade com excelentes lugares para passear.

 

Dormimos em um ótimo hotel e frequentamos ótimos restaurantes.  E aqui um registro especial para os Restaurantes Tipika e Sambambaias, de propriedade do Sr. José Miguel Vizcarra, Consul Honorário do Brasi, e de sua esposa.. Quando chegamos ao lugar fomos reconhecidos como Brasileiros pela bandeira nas camisetas em que usávamos e então fomos muito bem recepcionados pela família dos proprietários e pelos funcionários.  Não deixem de conhecer esses restaurantes, os quais tem excelentes pratos. A dica é almoçar no Tika e jantar no Sambabaias.

Também não deixem de fazer o passeio de ônibus turístico pela cidade.  Ele te leva aos principais locais, e sempre acompanhados de um guia.

Leva toda a manha, e você passa por lugares fantásticos. Mas sem duvida as principais atrações da cidade são os Vulcões, os quais ficam muito próximos da cidade.  É um visual fantástico e não da vontade de tirar os olhos deles.  Ficamos no Hotel Mint, cuja janela do quarto dava de frente para eles, então o amanhecer em Arequipa foi sem duvida um dos mais belos da viagem.

AREQUIPA À IQUIQUE

 

O dia de hoje será longo, além da quilometragem teremos que fazer a aduana passando do Peru para o Chile.  Também teremos o acréscimo de duas horas a mais no fuso horário.  Também teremos todo o Deserto do sul do Peru e do Norte do Chile para atravessar.  Realmente será um dia longo, mas falando de pilotagem será o mais fantástico.

A saída de Arequipa foi tranquila e mais uma vez paramos para apreciar o belo visual dos vulcões El Misti e Chachani.  A saída da cidade é feita em uma rodovia cheia de curvas com descidas e subidas. Olhando para traz, sempre a paisagem dos vulcões com seus picos cobertos com gelo.

Precisa até se cuidar na pilotagem porque ficamos querendo toda hora olhar para trás. Todo o trajeto é desértico, ou seja, o visual é quase como se você estivesse "pilotando na lua".  Por diversas vezes subíamos a 4 mil metros e descíamos novamente.  O asfalto é muito bom. Não há problemas com postos de combustível, basta você se programar.

Mas como todo deserto, o trajeto tem seus desafios.  Água não pode faltar na bagagem, afinal se der alguma pane na moto ou algum outro problema, você precisa pelo menos garantir uma reserva de água.  A temperatura estava amena, nem frio, nem calor.

A rodovia realmente é fantástica, mas com poucos locais de ultrapassagem, o que requer muitos cuidados.  Outro detalhe é que na parte do sul do Peru você percorre muitas encostas de morros e desses caem muitas pequenas pedras na pista.  Se não ficar atento e desvia-las, com certeza pode provocar o corte dos pneus ou até o pior, um tombo.  Então fique alerta e não se distraia com a beleza da paisagem e das curvas.

Alias, quem gosta de curvas vai se deliciar, uma melhor que a outra para pilotar.

A saída do Peru é tranquila e rápida, feita em uma alfandega de primeiro mundo, muito limpa e organizada, muito diferente do Brasil. A entrada no Chile também é feita em uma alfandega muito organizada, porem os tramites são demorados.  Tudo é revistado, sendo necessário tirar todas as malas da moto e passar no raio-X. Também muita papelada para preencher, por isso demanda tempo.  Acrescido a isso tem as duas horas de fuso horário.  Então se programe considerando esses pontos porque senão ira ocorrer o mesmo que nós, que acabamos tendo que pilotar a noite pelo deserto para conseguirmos chegar em Iquique no mesmo dia.

Existe a opção de dormir na cidade fronteiriça de Arica no Chile.  Porem é um município bem pequeno, com poucas opões, mas bem organizado.

Nessa cidade paramos para "almoçar" às 4 da tarde e fazer o cambio, comprando Peso Chileno.

Voltando à estrada, saímos do litoral e adentramos novamente no deserto.  Sem duvida o trecho mais fantástico em termos de pilotagem.

O entardecer foi chegando e pilotar no deserto, pelas encostas, pelos vales e vendo o sol se por no horizonte foi uma experiência incrível.

Em nosso filme da viagem essa parte ficou fantástica, porque pudemos registrar as motos pela rodovia com o sol se pondo ao fundo!

Pilotar no deserto à noite também foi uma experiência impar.  Meio assustador no início porque como sabemos o deserto esfria muito a noite e você fica a deriva de recursos caso precise.  Mas a rodovia era perfeita e tudo foi extremamente tranquilo.  Estávamos bem agasalhados e não estava tão frio assim, enfim, um trajeto inesquecível.

A chegada em Equique foi outra grata surpresa.  Descemos uma grande encosta, com muitas curvas serpenteando a serra, e lá em embaixo estava a bela Equipe a beira mar toda iluminada.

Chegamos bem tarde, mas ainda a tempo de jantarmos e até darmos uma esticadinha pelos barzinhos a beira mar. A cidade realmente é muito bacana.

Fique atento ao combustível.  Entre Arica e Equique são 300 km e não há postos de combustível no deserto.  Assim tome cuidado para não ficar na estrada, porque conforme a autonomia da moto você com certeza chegara só com o cheiro da gasolina.  Lembre-se que o combustível em outros países muda o comportamento e o consumo da moto, sem falar da altitude.  Assim é melhor se prevenir se não tiver certeza que a sua moto tenha essa autonomia.

Iquique além de muito bonita é cheia de atrativos. Por ser uma cidade litorânea já é uma ótima opção de passeio, mas sem duvida a Zona Franca é visita obrigatória.  Se você for taxi ele vão lhe deixar na parte principal, que é um grande shopping.  Mas saindo do shopping você encontra muitas lojas com menos luxo e é claro menor preço. Mas fique alerta, como todo comercio em Zona Franca, você pode acabar comprando "gato por lebre". Dentro do shopping já é mais difícil ocorrer isso, porem os custos são maiores é claro.

Passamos duas noites e um dia em Equique, mas merece pelo menos mais um dia para outros passeios.

Ficamos no Hotel Diego de Almagro, o qual era recem construido e de ótima qualidade.  Também se mostrou em uma ótima localização, a apenas uma quadra do mar.

IQUIQUE À ANTOFAGASTA

 

O trajeto de hoje será curto, alias bem curto se comparado com os demais dias, pouco mais de 400 km.  Mas foi sem duvida o trajeto com o visual mais marcante da viagem.  Também será o ultimo dia em que toda a turma estará reunida nessa viagem.  Do meio do caminho em diante se dividiremos em dois grupos, onde cada um fara percursos diferentes para retornar ao Brasil.

O trajeto escolhido foi a Ruta 1, até então desconhecida, uma vez que o trajeto tradicional é sempre pela Ruta 5. A escolha não poderia ser melhor, todo o trajeto é feito à beira mar por uma rodovia com muito pouco movimento, mas o visual é fantástico  A melhor foto da viagem foi feita pela Magali nessa rodovia, clicando o amigo Paulo Rocha rodando mais à frente em uma reta, e ao fundo uma grande montanha cujas cores se confundiam com o céu e o mar. Pilotar nessa rodovia é realmente uma experiência ímpar. De um lado montanhas e do outro o Pacífico muito azul. 

Em alguns trechos praias desertas e em outras muitas pedras a beira mar.

Em Tocopilla, bem no meio do caminho, fica localizado o único posto de combustível do trajeto, então o abastecimento é obrigatório.

Aqui também será o lugar onde nos dividiremos.  Devido ao pouco tempo restante das férias, Paulo Rocha, Clayton e a Mariane irão começar o retorno para o Brasil e seguirão direto para Calama.  De lá cortarão sem parar no Deserto do Atacama, seguindo para Salta, Corrientes e entrarão pelo Paraguai, dormindo na Capital Assunção. Depois entram de volta no Brasil por Ponta Porã, seguindo para Campo Grande e finalmente Cuiabá Capital do Mato Grosso, onde residem. Serão ainda 3.450 km até o destino final.

Eu, a Maga, o Fabiano e a Mariana vamos para Antofagasta e depois seguiremos para a Mão do Deserto.

 

Depois de Tocopilla a estrada até Antofagasta muda muito, porque o asfalto estava sendo totalmente recuperado.  Havia vários trechos com desvios sem asfalto, o que requer mais atenção, porem nada que prejudicasse o visual do lugar. Apens um pouco de "off-road" que deu mais emoção a viagem.

Chegamos pouco depois das 13h em Antofagasta, hospedando-se no Hotel Ibis. Tivemos a tarde toda livre para descansar e passear pela cidade.  A noite outro belo jantar à beira mar no restaurante Brasas Pacifico. Fica a dica.

ANTOFAGASTA A SAN PEDRO DO ATACAMA

 

Saímos bem cedo para a Mão do Deserto.  O dia ainda amanhecia e a temperatura esta bem baixa, na casa dos 5 graus positivos. Chegamos cedo na escultura da mão e lá já estavam um grande grupo de motociclistas brasileiros registrando passagem pelo "marco do motociclismo" da América do Sul.  Chegar nesse lugar é sempre uma grande emoção.  Foi minha terceira vez e mesmo assim vem um filme na sua cabeça.

Imaginem então a emoção para quem chega pela primeira vez, que era o caso do Fabiano e da Mariana.  Mistura-se uma série de sentimento, sómente quem é motociclista e chega nesse lugar para entender.

Após uma hora no local e muitas fotos, inclusive uma com a faixa "Fora Dilma" que ganhamos dos Brasileiros que lá estavam (era também dia de protestos aqui no Brasil), partimos então para San Pedro do Atacama e entrando em definitivo no coração do Deserto do Atacama.

O Atacama é outro lugar mágico para nós motociclistas.  Cada vez que passo por lá é uma nova emoção.

​Em San Pedro passamos dois dias e meio e 3 noites. Fizemos muitos passeios, inclusive alguns que não havia feito das duas outras vezes que estive por lá. Geisers, Valle da Lua, Lagoas Altiplanas e Parque dos Flamingos é quase que obrigatórios.  São lugares fantásticos, onde tirando os gêiser que não recomendo ir de moto, nos demais da até para economizar e seguir com a própria moto, pagando apenas a entrada dos parques.

Mas particularmente quando chego nesses lugares gosto de deixar a moto guardada e preservada de qualquer risco de uma queda.  Além do mais é uma oportunidade de descansar, afinal uma viagem de moto precisa ser também prazerosa, e estar bem fisicamente proporciona isso.

Leia mais sobre San Pedro do Atacama nesses links das nossa viagens em 2010 e 2014.

 

Não poderia deixar de fazer um registro da nossa hospedagem em San Pedro do Atacama.  Mais uma vez ficamos no Hotel Corvatsch de propriedade dos amigos Alberto que é chileno e sua esposa brasileira Idiana.  Esse hotel sem duvida é especial principalmente pela grande parceria e amizade que eles têm com os brasileiros que lá vão.  Não por conhecidencia o hotel esta sempre cheio de brasileiros e muitas motos no estacionamento.  Se você procurar na internet ira ver quantas vezes eles já ajudaram motociclistas que tem problemas com suas motos ou até envolvidos em acidentes.  Não vou contar aqui os casos que conheço, mas acreditem são dezenas, inclusive de colega que teve sua vida salva pelo apoio deles. Isso realmente não tem preço. Se hospedar por lá é "como estar em casa". Além disso eles possuem uma agência de turismo, onde você já pode organizar os passeios diretamente com eles, ou seja, tudo muito fácil e pratico. Recomendo.

SAN PEDRO DO ATACAMA AO BRASIL

 

É hora de começar a voltar para casa.  Ainda serão mais de 4 mil quilômetros até Curitiba, onde atravessaremos o Deserto do Atacama, passando pelos Caracoles e pelas Salinas Argentinas.  Fizemos pernoite em Salta, outra bela cidade que merece pelo menos mais duas noites por lá.  Nas viagens de 2010 e 2014 passamos alguns dias nessa cidade, onde recomendo os hoteis Marilian que fica bem próximo a praça central e tem um custo menor ou então no luxuoso Portezuelo, esse mais caro e mais retirado do centro. Em Salta não deixe de jantar no restaurante Jovi Dos, degustando um excelente Bife de Chorizo.

 

Também pernoitamos em Corrientes, após atravessar o Chaco Argentino, onde foram 890 km percorridos no dia, sendo 500 km de uma única reta.

Nesse trecho os pneus já em fim de viagem, sentem o desgaste das longas retas e começam realmente a se deteriorar.  Precisa ficar atento, porque não são poucas as histórias de colegas que ficaram sem pneu nessa região. Nosso colega Clayton por exemplo, teve seu pneu totalmente desgastado nesse trecho e precisou comprar um pneu novo.  Com muita sorte achou uma unica peça em Presidência Roque San Peña,

Em Corrientes as dicas de hotéis são no hotel Guarany que é maior e mais caro e no Don Suites Apart, o qual também é excelente com preço mais em conta.  Nesse eles possuem uma pequena garagem que podera guardar sua moto, mas não tem garagem para carros. Em Corrientes jante no restaurante El Parrillon e delicie-se com as carnes Argentinas. 

Entramos então de volta ao Brasil por Foz do Iguaçu, mas antes de atravessar a fronteira fizemos uma pequena parada em Puerto Iguazu do lado Argentino, onde a hotelaria é mais barata e você pode desfrutar de ótimos hotéis.  Ficamos em um em meio à mata, o Village Cataratas. Muito agradável e com uma excelente piscina e um ótimo restaurante. Mas se estiver de moto peça para ficar em um apartamento mais próximo ao estacionamento.  Aproveitamos para conhecer o parque das Cataratas pelo lado Argentino.  Vale a pena, é espetacular conhecer as Cataratas por outros ângulos.  Chegamos bem na boca delas por uma longa passarela que corta todo o rio.

 

Também é uma oportunidade de degustar uma ótima carne nos restaurantes Argentinos e porque não aproveitar para comprar umas garrafas de vinho. O duro é achar lugar na moto para carregar! (risos).

Esses dois dias descansando foram estratégicos, porque ai você pode com mais tranquilidade terminar o trajeto dentro do Brasil, onde sabemos que as estradas não são tão boas e geralmente são bem mais movimentadas.

Graças a Deus chegamos então em Curitiba, depois de exatos 23 dias rodando por 5 países, encarando novas experiências e descobrindo belíssimos novos lugares.

Assim encerramos nossa viagem, onde graças a Deus tudo ocorreu bem, sem nenhum problema que interferisse na segurança, trajetos ou programação da mesma.  Mesmo o problema mecânico em uma das motos foi contornado dentro do que havíamos programado.

Quantos aos integrantes da viagem, somente elogios.  Todos motociclistas experientes, que souberam entender e contornar as situações que fazem parte da rotina de uma viagem de moto, bem como manter o alto astral e alegria comum que já é tradição nas viagens em que fazemos.

É isso pessoal, espero que esse texto possa ajuda-los no planejamento de suas próximas viagens por esses mesmos caminhos.

 

Sucesso e boa viagem a todos.

Alcioni Marcio Fritz

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